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Número pequeno deve fortalecer as tropas americanas que já estão na região; Rússia poderá contestar envio no Conselho de Segurança da ONU

Donald Trump
Divulgação
Segundo o New York Times, Trump decidiu enviar os militares após uma reunião com conselheiros de segurança nacional

Em um novo capítulo da escalada de tensões entre os Estados Unidos e Irã , o presidente Donald Trump anunciou nesta sexta-feira que enviará cerca de 1.500 tropas adicionais para o Oriente Médio, contingente considerado modesto.

“Nós queremos ter proteção no Oriente Médio. Vamos enviar um número de tropas relativamente pequeno, para proteção”, disse Donald Trump , enquanto embarcava em uma viagem para o Japão. “Pessoas muito talentosas estão indo agora para lá e nós veremos o que vai acontecer.”

Segundo o Pentágono, 900 soldados serão enviados à região e outros 600 serão deslocados para a área. As tropas fortalecerão o contingente americano que já está na região e são majoritariamente especializados em engenharia e técnicas de defesa.

“Esta é uma resposta modesta às ameaças iranianas”, disse o secretário interino de defesa, Patrick Shanahan.

Em comunicado, Shanahan disse que além das tropas, serão enviados à região um sistema de mísseis Patriota, equipamentos de inteligência e monitoramento, uma aeronave para voos de reconhecimento e um esquadrão de aviões de guerra, para fortalecer as respostas aéreas.

O vice-chefe de relações internacionais do Parlamento russo, Vladimir Dzhabarov, disse à agência RIA que a Rússia poderá contestar o envio das tropas americanas no Conselho de Segurança da ONU.

De acordo com o New York Times, Trump decidiu enviar os militares após uma reunião com seus conselheiros de segurança nacional. No encontro, a Casa Branca concluiu que um pequeno aumento seria suficiente para lidar com quaisquer ameaças que o Irã ou grupos paramilitares aliados representem para os interesses americanos na região.

“Nós vemos isso como uma campanha”, afirmou contra-almirante Michael Gilday, diretor do estado-maior conjunto do Pentágono. “Acredito que, com a implantação controlada de ativos e mensagens públicas, ressaltamos novamente que não estamos buscando hostilidades com o Irã.”

Números divulgados pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos mostram que, em março, havia um total de 227.121 soldados e funcionários civis do órgão no exterior. O número não leva em conta os presentes no Iraque e no Afeganistão.

Trump foi eleito em 2016 prometendo diminuir a presença militar americana no Oriente Médio.

Na quarta-feira, a agência Reuters revelou que o Departamento de Defesaavaliava um pedido de comandantes militares americanos para enviar mais 5.000 soldados para a região. O envio de apenas 1.500 tropas é um alento para o Capitólio, onde congressistas – principalmente democratas – culpam a gestão de Trump pelo aumento das desavenças com Teerã.

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Escalada das tensões

O envio do contingente é apenas mais um passo da escalada das tensões entre Teerã e Washington. Na semana passada, os EUA solicitaram a retirada dos funcionários não essenciais  de sua embaixada em Bagdá, devido a preocupações com ameaças iranianas. Os americanos acreditam ainda que  milícias xiitas apoiadas por Teerã estejam por trás dos ataques a navios petroleiros no Golfo Pérsico.

Donald Trump ordenou também o envio de um porta-aviões, bombardeiros B-52 e mísseis para a região, uma resposta ao que a Casa Branca considera um agravamento dos riscos aos soldados e interesses americanos na região.

Segundo o New York Times, o endurecimento da postura de Trump se deve a fotografias obtidas pela Inteligência americana, que mostram mísseis montados em pequenos barcos no Golfo Pérsico. De acordo com o jornal nova-iorquino, o armamento teria sido colocado nas embarcações por forças paramilitares apoiadas por Teerã.

O temor em Washington é que os mísseis sejam utilizados pela Guarda Revolucionária do Irã contra navios americanos. Outras informações obtidas pelos americanos apontam para riscos de ataques de grupos rebeldes apoiados pelo Irã contra tropas americanas e navios comerciais na região.

A relação entre os dois países é difícil desde 1953 , quando os Estados Unidos orquestraram a queda do primeiro-ministro iraniano democraticamente eleito Mohammed Mossadegh, e reconduziram o xá Mohammed Reza Pahlavi, favorável aos interesses americanos, ao poder.

Pahlavi comandou o país até a Revolução Iraniana, em 1979. Em novembro do mesmo ano, o início da crise dos reféns na embaixada americana em Teerã, que se estenderia até 1981, colocou as relações entre Irã e Estados Unidos em posição ainda mais delicada.

A disputa mais recente gira em torno do acordo nuclear iraniano. No plano, assinado em 2015 por EUA, Irã e outras potências, Teerã concordou em restringir suas capacidades de enriquecimento de urânio, em troca do aliviamento das sanções.

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Em maio do ano passado, Donald Trump retirou os Estados Unidos do acordo e voltou a aplicar as restrições econômicas, buscando bloquear suas vendas de petróleo e enfraquecer a economia iraniana. Em resposta, o  Irã anunciou diminuições às restrições no seu programa nuclear  e ameaçou tomar medidas que podem significar o rompimento do tratado.

A diminuição às restrições nos setores petrolíferos e bancário eram os principais benefícios ao Irã em resposta à limitação do seu programa atômico. Segundo Teerã, o enriquecimento de urânio em seu território tem fins energéticos, mas há o temor de que o material possa ser utilizado para produzir armas nucleares

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