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Em compensação, Washington já ameaçou retaliação 'rápida e apropriada' contra Bashar al-Assad; ataque teria acontecido na manhã de domingo

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Reprodução/Twitter
A OSDH é uma organização que monitora o conflito no país do Oriente Médio por meio de uma ampla rede de fontes

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) afirmou nesta quarta-feira não ter encontrado provas suficientes de que possa ter ocorrido um ataque químico no noroeste da Síria , conforme haviam denunciado os Estados Unidos na véspera. Com sede em Londres, a organização monitora o conflito no país do Oriente Médio por meio de uma ampla rede de fontes locais.

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"Não dispomos de informação de nenhum ataque químico nas montanhas de Latakia, na Síria ", disse Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH.

Na terça-feira, o Departamento de Estado americano afirmou ter conhecimento de indícios de que o governo de Bashar al-Assad realizara “um suposto ataque com cloro no noroeste da Síria na manhã do dia 19 de maio”, ameaçando uma retaliação “rápida e apropriada”.

"Ainda estamos reunindo informações sobre este incidente, mas reafirmamos nossa advertência: se o regime de Assad utilizar armas químicas, os Estados Unidos e seus aliados responderão rapidamente e de maneira apropriada", declarou Morgan Ortagus, porta-voz da diplomacia americana.

O grupo jihadista Hayat Tahrir Al Sham (HTS), dominado por membros do antigo braço sírio da Al-Qaeda, também acusara no domingo as forças pró-Assad de um ataque com cloro contra seus combatentes na zona norte da província de Latakia.

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O presidente dos Estados Unidos , Donald Trump, transformou o uso de armas químicas em uma linha vermelha e ordenou duas vezes ataques contra alvos de Damasco: em abril de 2017, em retaliação a um ataque com gás sarin, e um ano depois, juntamente com a França e o Reino Unido, em resposta a um suposto ataque químico contra civis em Douma.

Segundo Ortagus, o novo ataque faz parte da “campanha violenta do regime de Assad contra o cessar-fogo que protegeu milhões de civis na província de Idlib”, uma das poucas áreas da Síria que não está ainda sob controle do regime. A declaração do Departamento de Estado ainda acusa as forças da Rússia e de Assad de “uma campanha de desinformação contínua, para criar a falsa narrativa de que outros são culpados por ataques com armas químicas”.

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"Os ataques do regime contra as comunidades no noroeste da Síria devem parar. Os Estados Unidos reiteram sua advertência, dada pelo presidente Trump em setembro de 2018: qualquer ataque à zona de Idlib seria uma escalada perigosa, que ameaçaria desestabilizar a região", afirmou a porta-voz americana.