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Grupo terrorista compartilhou discurso de Abu Bakr al-Baghdadi sobre o fim do califado; assunto abordado na gravação revela que ela é recente

Abu Bakr al-Baghdadi
Reprodução/Twitter
Líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, apareceu em novo vídeo pela primeira vez em cinco anos

O líder do Estado Islâmico (EI), Abu Bakr al-Baghdadi, apareceu em vídeo pela primeira vez em quase cinco anos. O braço midiático do grupo terrorista, al-Furqan, divulgou um discurso do chefe nesta segunda-feira, no qual ele fala sobre o fim do califado na Síria e no Iraque.

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É a primeira vez que Baghdadi é visto em gravações desde julho de 2014, quando anunciou a criação do califado do Estado Islâmico . Apenas um áudio dele havia sido veiculado pela Furqan, em novembro de 2016, em apelo a extremistas para resistirem ao avanço das tropas iraquianas em Mossul.

O novo vídeo marca a volta do líder à cena pública do grupo terrorista depois do sermão no púlpito da Grande Mesquita de Mossul, cidade iraquiana que foi ocupada pelo grupo até o final de 2017.

O paradeiro do líder é desconhecido há algum tempo. Após a retomada dos bastiões dos extremistas, operação concluída no mês passado, acredita-se que ele tenha se escondido nas regiões desérticas do Iraque ou da Síria.

Não está claro quando o discurso foi gravado. Imagens da gravação foram divulgadas pelo grupo SITE Intel, uma companhia americana que se dedica a rastrear a atividade online de supremacistas brancos e terroristas.

"O vídeo mostra Baghdadi em um ambiente informal de conversa com outras pessoas (seus rostos estão borrados). Ele fala sobre a guerra contra os 'cruzados' e sobre as batalhas em Baghouz, na Síria, indicando que esta entrevista foi filmada recentemente", detalhou a diretora do SITE Intel, Rita Katz.

Intitulado "In the Hospitality of the Emir of the Believers" (Na hospitalidade do emir dos crentes, em tradução livre), o registro mostra Baghdadi elogiando os extremistas que se explodiram em Sri Lanka, em ataques coordenados que deixaram mais de 250 mortos no domingo de Páscoa do país. O EI reivindicou a autoria dos atentados, atribuídos pelas autoridades cingalesas a um grupo legal que teria vínculos com a organização terrorista.

Segundo Rita Katz, Baghdadi destacou que tais ataques foram vingança por Baghouz. "Há um sério perigo não apenas no fato de que Baghdadi, o chamado califa, ainda está vivo, mas também de ele ser capaz de ressurgir para seus seguidores e reafirmar a mensagem contra o mundo depois de todo progresso feito contra o grupo", avaliou Rita.

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Agora que perdeu seu porto seguro no Oriente Médio, o Estado Islâmico pode estar confiando cada vez mais no modelo que aperfeiçoou no exterior. O líder do grupo, Abu Bakr al-Baghdadi, vive hoje como clandestino. Acredita-se que se comunique apenas por um mensageiro pessoal, mas seus combatentes se falam livremente por aplicativos criptografados.

Um líder discreto

Acredita-se que Abu Bakr Al-Baghdadi — que originalmente chamava-se Ibrahim Awwad Ibrahim Ali Muhammad al-Badri al-Samarrai — nasceu nos arredores de Samarra, no Iraque, em julho de 1971, e que passou a juventude estudando o Islã de maneira discreta, e vivendo em Tobchi, um bairro pobre na periferia de Bagdá, habitado por sunitas e xiitas. Sua ascensão de estudante do Alcorão e líder religioso a chefe do principal grupo terrorista do planeta é recheada de mistérios e informações conflitantes.

Embora haja relatos de que Baghdadi já atuasse como jihadista durante o governo de Saddam Hussein, a Inteligência americana acredita que ele era clérigo de uma mesquita da capital durante a invasão do país em 2003, e que teria se radicalizado durante os quatro anos em que esteve preso em Camp Bucca e na prisão de Abu Ghraib. Al-Bagdadi se uniu à insurreição no Iraque pouco depois da invasão das tropas dos Estados Unidos em 2003 e teria sido preso em um campo de detenção americano.

Em 2010, como líder da al-Qaeda no Iraque, desafiou o líder central da organização, Ayman al-Zawahiri, propondo uma fusão entre seu grupo e a Frente al-Nusra, braço do grupo na Síria. A medida ousada levou a uma cisão entre as organizações, e a facção liderada por Baghdadi , rebatizada de EI no Iraque, se expandiu por conta própria para o território sírio, proclamando um califado global, em junho de 2014. Baghdadi conseguiu transformar o grupo terrorista na mais potente, rica e brutal organização extremista do mundo, com presença na Síria em 2013 e no Iraque em 2014.

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Desde 2015, rumores de que o autoproclamado califa teria sido gravemente ferido ou morto em ataques da coalizão liderada pelos EUA proliferaram e foram desmentidos pela equipe de comunicação do Estado Islâmico e pela imprensa mundial. Segundo um documento do serviço secreto iraquiano, Baghdadi tem doutorado em Estudos Islâmicos e foi professor na Universidade de Tikrit, no Norte do país.

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