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Embaixadora quer levar reivindicações a Moro e já pediu audiência do tema

Juan Guaidó
Antonio Cruz/Agência Brasil
Juan Guaidó quer ajuda de Moro para investigar caso Odebrecht na Venezuela

Reconhecido pelo governo de Jair Bolsonaro como presidente venezuelano, Juan Guaidó quer o auxílio das autoridades brasileiras para apurar casos de corrupção na Venezuela ligados à atuação da Odebrecht no país e a relação com integrantes da gestão de Nicolás Maduro , que se mantém no comando do país. A advogada e professora Maria Teresa Belandria , nomeada por Guaidó para o cargo de embaixadora no Brasil, pediu ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro , uma audiência para tratar das reivindicações.

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A expectativa é que o encontro aconteça logo após o retorno de Belandria da Colômbia, onde ela vai se reunir no sábado com outros embaixadores indicados por Guaidó, como os representantes de Estados Unidos, Canadá e Argentina.

"O objetivo é pedir auxílio nas apurações sobre a Odebrecht e a identificação de ativos (de integrantes do governo Maduro) no Brasil. Se houver ativos (fruto de desvios), que sejam congelados", defendeu Belandria nesta quarta-feira, em café da manhã com jornalistas.

Em delação premiada, um executivo da empreiteira afirmou que a empresa deu US$ 35 milhões para a campanha de Maduro em 2013. A contrapartida seria a manutenção das obras da empresa no país.

"Vocês podem ir a Caracas e ver as obras inconclusas da Odebrecht . O que queremos pedir é a colaboração do governo", disse a embaixadora.

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Belandria, que na terça-feira se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, elogiou as ações do governo brasileiro na política externa e evitou comentar as divergências sobre o tema já expostas entre as visões do chanceler e a do vice-presidente, Hamilton Mourão .

"Não vou comentar sobre a política interna do Brasil. Mas é absolutamente respeitável que queiram manter um canal aberto (com Maduro). Estive com ele (Mourão) há oito dias e foi uma reunião muito amena. É interesse do Brasil ter um canal aberto e temos que respeitar isso. E o Itamaraty é nosso grande aliado", afirmou a embaixadora da Venezuela , acrescentando que pretende procurar também representantes do PT, alinhado a Maduro. "Um embaixador tem que conversar com todos e debater as ideias", completou.