Nicolás Maduro faz discurso na Venezuela
Reprodução/Twitter
Nicolás Maduro tenta se reaproximar do Brasil


O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, enviou uma carta ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), em que diz ter “o desejo de retornar o caminho das relações bilaterais de cooperação” entre os dois países. O texto, encaminhado por meio do senador Telmário Mota (Pros-RR), ainda não chegou às mãos de Alcolumbre, que, no fim de fevereiro, recebeu a visita do presidente autoproclamado da Venezuela, Juan Guaidó.

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Presidente da subcomissão temporária criada pelo Senado sobre a Venezuela, Mota se reuniu com Maduro na última segunda-feira, em Caracas. Ele diz que quer “buscar soluções imediatas para o sofrimento que aflige o povo de Roraima”. Em um texto sobre o encontro, o senador diz que “as trocas comerciais com a Venezuela são fundamentais para a economia de Roraima”, além da energia produzida pelo país vizinho. Em 21 de fevereiro, Maduro anunciou o fechamento da fronteira da Venezuela com o Brasil.

No texto endereçado a Alcolumbre , Maduro diz que “cabe recordar que em janeiro de 2014, na cidade de Havana, Cuba, toda a América Latina e caribenha foi declarada, por consenso, como zona de paz no marco da 2ª Cúpula da Comunidade de Estados da América Latina e Caribenha (Celac)”.

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“Nossa América, por conseguinte, deve permanecer livre de pretensões de guerra e promover sua unidade, respeitando, claro, essa sua rica diversidade”, escreve. “Lamentavelmente, há quem quer e pretende não só dividir-nos, como também dirigir-nos para uma confrontação. Nossos povos jamais aceitariam nem perdoariam que poderes alheios à nossa região nos conduzam a enfrentamentos por vias armadas. Nossas relações devem estar sempre assinadas pela paz, o diálogo e o entendimento”, registra Maduro, dizendo que “meu país é ameaçado permanentemente pelo governo dos Estados Unidos com uma intervenção militar, ao mesmo tempo em que impõe à nossa economia um severo, arbitrário e injusto bloqueio, com o objetivo de forçar uma mudança de governo pela força”.

Maduro diz que, por isso, acredita ser “oportuno escrever estas linhas ao Senado Federal, como representante de um povo admirado, que sabemos ser amante da paz e respeitoso da soberania e independência dos povos de nossa região e do mundo inteiro”.

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O presidente venezuelano completa: “ Venezuela e Brasil têm mantido desde sempre relações de harmonia, fraternidade e respeito mútuo. Lamentavelmente, Sr. Presidente, o Poder Executivo atual de seu país tem rompido esta tradição, ao adiantar uma política inamistosa com Venezuela e seu Governo Constitucional, violando sistematicamente o sagrado princípio de não interferência em assuntos internos dos Estados. Para nós, este giro inesperado e ofensivo na política exterior de Brasília tem sido doloroso e sabemos que não interpreta ao sentir da imensa maioria do povo do Brasil”.

Ele termina pedindo apoio para “estabelecer uma mesa de trabalho binacional, com participação do Senado do Brasil, para concretar as regras de convivência e respeito que nos permitam proceder a reabrir a fronteira, como gesto compartilhado de boa vontade”.

“Tem-me expressado o senador Temário Mota que é de especial interesse para o estado de Roraima o sano restabelecimento de nosso intercâmbio comercial, econômico, humano e cultural. De igual maneira, ordenei fazer todos os esforços para superar as adversidades que ocasionou o ataque criminal a nosso sistema elétrico nacional, para restituir, no menor prazo possível, nossa cooperação em matéria de energia elétrica com o estado de Roraima, como sempre tem sido meu desejo. Conte o senhor e o Brasil todo com meu dedicado compromisso nestas decisões”, diz Maduro.

A assessoria de Alcolumbre diz que o presidente do Senado ainda não recebeu a carta. No fim de fevereiro, ele recebeu visita de Guaidó, quando foi anunciado que a Casa teria um colegiado para acompanhar a situação da Venezuela. Senadores contrários a Maduro acompanharam o encontro.

Depois da reunião, Alcolumbre escreveu no Twitter sem citar o nome de Maduro . “As democracias precisam ser respeitadas, e a tirania não pode prevalecer”. “Nesse sentido, os senadores abraçam toda nação venezuelana. Sejam fortes e firmes e contem com o apoio do nosso país e do Senado da República. Nós acreditamos que só através da livre manifestação do povo venezuelano nós poderemos ter definitivamente uma democracia consolidada na história da Venezuela”, disse.

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