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Tanto ensaísta, quanto seu advogado negavam e ironizavam a existência do Holocausto; francês já foi condenado a pagar multa por provocar ódio racial

desenho francês holocausto
Reprodução/Twitter
Ensaísta contestou Holocausto em desenho publicado em seu portal online, em 2016

Um ensaísta francês de extrema direita foi condenado a um ano de prisão por contestar a existência do Holocausto. Tanto Alain Soral, de 60 anos, quanto seu advogado, Damien Viguier, foram alvos da decisão proferida pelo Tribunal Penal de Paris, nesta segunda-feira (15).

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Soral já foi condenado diversas vezes anteriormente, principalmente por provocar ódio racial. Em audiência que aconteceu no início de março, a acusação havia pedido seis meses de prisão em regime fechado contra o ensaísta, que além de negar com frequência a existência do Holocausto , durante a Segunda Guerra Mundial, também ironizava o ocorrido.

Em 2016, o site do ensaísta chamado “Igualdade e Reconciliação” publicou um desenho de uma capa de jornal intitulado “Chutzpah Hebdo” – em referência ao semanário francês Charlie Hebdo – em que Charlie Chaplin aparecia diante de uma estrela de Davi, perguntando “Holocausto, cadê você?”. Pela publicação, Soral foi condenado a pagar multa de 10 mil euros (mais de R$ 44.000), com possibilidade de ser preso, caso não pagasse.

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Além disso, Soral também teria publicado, em seu portal online, textos de contestação escritos por seu advogado, em 2017, que foi condenado a pagar multa de 5 mil euros (mais de R$ 22.000) por cumplicidade, devido ao conteúdo de suas conclusões.

No texto de Viguier, o advogado fala sobre os elementos desenhados por Soral ao lado de Charlie Chaplin, alegando que os sabonetes de gordura humana e os abajures de pele humana feitos pelos nazistas eram apenas “propaganda de guerra ”. Além disso, Viguier apontou que os sapatos dos judeus que aparecem acumulados em certos lugares servem apenas para “atingir a imaginação”.

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Por negarem a existência do Holocausto , ambos terão ainda que realizar o pagamento simbólico por danos a quatro associações civis antirracistas, além de 1,5 mil euros (mais de R$ 6.000) em custos legais para cada uma delas.