Estado Islâmico estabeleceu-se na Síria entre 2014 e 2015, durante o vácuo de poder na Síria e no Iraque
Observatório Sírio dos Direitos Humanos
Estado Islâmico estabeleceu-se na Síria entre 2014 e 2015, durante o vácuo de poder na Síria e no Iraque

O porta-voz das Forças Democráticas da Síria, Mustefa Bali, anunciou neste sábado (23) que o “califado” do autoproclamado Estado Islâmico foi eliminado a 100%, após combates em Bagouz, o último reduto jihadista na Síria.

"As Forças Democráticas da Síria (SDF) declaram a total eliminação do autoproclamado califado e a derrota territorial de 100% do EI", declarou Bali pelo Twitter. O SDF sublinhou ainda que vai continuar a combater o que resta do grupo extremista até que eles sejam completamente erradicados.

Combatentes curdos e árabes das Forças Democráticas Sírias, apoiadas pela coligação internacional liderada pelos Estados Unidos, estavam há várias semanas combatendo os jihadistas no que consideravam ser o seu último reduto: a cidade de Bagouz, no interior do país.

O vilarejo fica entre o Rio Eufrates e a fronteira com o Iraque e era alvo de uma ofensiva curda desde o início do ano para a derrubada definitiva do autoproclamado "califado" do EI. "Baghuz está livre, e a vitória militar contra o EI foi alcançada", comemorou Bali.

"Neste dia, homenageamos os milhares de mártires cujos esforços permitiram a vitória", acrescentou. A milícia hasteou bandeiras amarelas em Baghuz para celebrar o triunfo. O Estado Islâmico chegou a controlar vastas regiões do país, do Iraque e até da Líbia, mas hoje não possui nenhum território sob seu poder.

Apesar disso, o grupo ainda possui grande capacidade de influência sobre jovens muçulmanos mundo afora e mantém uma intensa propaganda na internet. No início da semana, o porta-voz do EI, Abu Hassan al Muhajir, divulgou um áudio garantindo que o "califa" do grupo, Abu Bakr al Baghdadi, está vivo.

A ONG Observatório Sírio para os Direitos Humanos (Sohr, na sigla em inglês) alertou neste sábado que o destino dos líderes militares do grupo segue desconhecido. A derrota do EI foi determinante para a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retirar as tropas americanas do país sírio, apesar da discordância de expoentes do Pentágono.

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Os EUA dirigem a coligação internacional que integra mais de 70 países, com o apoio do Conselho de Segurança da ONU, para combater o terrorismo no país sírio e no Iraque.

Em dezembro do ano passado, Trump afirmou que o grupo terrorista  Estado Islâmico foi derrotado e que, por isso, faria a retirada dos soldados norte-americanos do país. “Nós derrotamos o Estado Islâmico na no país sírio. Essa era minha única razão para estar lá durante a presidência", explicou o republicano.

Em nota divulgada pela Casa Branca, a porta-voz Sarah Sanders confirmou a decisão do presidente de retirada das tropas e, inclusive, informou que os soldados já haviam começado a deixar o país. Porém, Sarah frisou que a volta das tropas para os Estados Unidos não significava que a missão tinha acabado, mas sim, que ela estava entrando em uma nova fase.

A secretária ainda disse que, tanto o país, quanto seus aliados, estavam preparados para voltar à guerra e poder defender os interesses norte-americanos. Essa era uma das promessas de Trump, desde o início de sua campanha.

Leia também: Mais de mil crianças foram mortas ou feridas na Síria em 2018, alerta Unicef

O Estado Islâmico, também conhecido como ISIS e Daesh, estabeleceu-se na Síria entre 2014 e 2015, durante o vácuo de poder na Síria e no Iraque, com a intenção de consolidar um governo próprio e autoritário, chamado califado, baseado na sharia - a lei islâmica; e divulgar pela internet suas ideias sobre o Islã, inspirando o terrorismo no Ocidente.

* Com informações da Ansa e Agência Brasil

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