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Presidente autodeclarado da Venezuela e presidente brasileiro falaram após encontro realizado em meio à violência na fronteira entre os dois países

Autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó veio ao Brasil para fortalecer aliança anti-Maduro
Marcelo Camargo/Agência Brasil - 28.2.19
Autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó veio ao Brasil para fortalecer aliança anti-Maduro

O presidente Jair Bolsonaro e o autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó fizeram um pronunciamento conjunto após reunião em Brasília, no início da tarde desta quinta-feira (28). Os dois endureceram o discurso contra o governo de Nicolás Maduro e o brasileiro fez um "mea culpa" ao falar que os governos anteriores do País também eram responsáveis pela crise na nação vizinha.

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Guaidó foi o primeiro a se pronunciar e denunciou a violência do regime de Maduro contra os opositores e os povos indígenas da Venezuela . Ele clamou por "eleições livres" e pelo fim da truculência estatal. Ele ainda agradeceu o Brasil, a Colômbia e a comunidade internacional por denunciar o governo Maduro. “Essa reunião marca um relacionamento positivo entre Venezuela, Brasil e a região após a cúpula histórica do Grupo de Lima, em Bogotá”, disse Guaidó.

“Em nosso encontro com os embaixadores dos países da União Europeia, continuamos a fortalecer as relações com nações que reconheceram nossos esforços para recuperar a democracia na Venezuela e obter eleições livres. Apreciamos o forte apoio internacional dado à nossa rota e apoio à ajuda humanitária. É hora de avançar para conseguir a cessação da usurpação que porá fim à crise na Venezuela, recuperará nosso país e estabilizará a região."

Na sua vez, Bolsonaro fez questão de culpar a "esquerda" pela crise econômica no país vizinho. "Tenho que fazer um 'mea culpa' aqui, pois os dois últimos presidentes do Brasil também tiveram culpa pelo que está acontecendo na Venezuela", disse o brasileiro, em referência aos governos petistas de Lula e Dilma Rousseff. Ele ainda disse que o "Brasil estava indo pelo mesmo caminho, mas, felizmente, 'acordou'".

Depois, o venezuelano respondeu perguntas e revelou que está sendo ameaçado por membros do governo de Maduro. Guaidó disse que volta ao seu país natal até a próxima segunda-feira (4). "Voltarei à Caracas nos próximos dias apesar das ameaças", disse. 

Apesar de o Brasil reconhecer Guaidó como presidente interino da Venezuela, o encontro não é considerado uma visita de Estado e acontece no gabinete de Bolsonaro. O também presidente da Assembleia Nacional da Venezuela ainda deve se encontrar com o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP). Ele volta à Venezuela até a segunda-feira.

Guaidó chegou ao Brasil na madrugada desta quinta. Em sua conta pessoal no Twitter, ele disse que veio ao Brasil em busca de apoio para a transição de governo na Venezuela. Antes do encontro com Bolsonaro, ele esteve com representantes diplomáticos de outros países no escritório da delegação da União Europeia, em Brasília.

“Em nosso encontro com os embaixadores dos países da União Europeia, continuamos a fortalecer as relações com nações que reconheceram nossos esforços para recuperar a democracia na Venezuela e obter eleições livres”, escreveu. "Apreciamos o forte apoio internacional dado à nossa rota e apoio à ajuda humanitária. É hora de avançar para conseguir a cessação da usurpação que porá fim à crise na Venezuela, recuperará nosso país e estabilizará a região”, completou.

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Mais cedo, também pelo Twitter, o ministro Ernesto Araújo disse que a diplomacia brasileira continua com seu "apoio irreversível e incondicional à libertação" do país vizinho.

No mês passado, o Tribunal Supremo de Justiça proibiu Guaidó de deixar a Venezuela e congelou suas contas. A Corte atendeu a um pedido do procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, aliado do presidente Nicolás Maduro. Apesar da decisão judicial, o presidente interino foi à Colômbia para articular a entrega de ajuda humanitária na fronteira e participar do encontro do Grupo de Lima, em Bogotá. Mesmo correndo risco de ser preso, ele prometeu retornar à Venezuela em breve.