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Lúcia, de apenas 11 anos, conseguiu permissão judicial para realizar o procedimento na 22ª semana de gravidez; a médica resolveu não obedecer

Mulheres em protesto pró aborto na Argentina, em fevereiro
Reprodução/Twitter
Mulheres em protesto pró aborto na Argentina, em fevereiro

Lúcia, uma menina de 11 anos da província de Tucumán, na Argentina, conseguiu autorização judicial para fazer um aborto, após ser abusada sexualmente pelo marido de sua avó. No entanto, no momento do procedimento, nessa quarta-feira (27), a médica decidiu fazer a cesárea por conta própria.

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Lúcia havia conseguido a permissão para realizar o aborto pela lei argentina, que autoriza o procedimento em caso de estupro, risco de vida da mãe ou má-formação do feto. A garota pediu ao juiz que tirasse de dentro dela “o que aquele velho colocou”. O agressor, de 65 anos, está preso.

A vítima apresentou o pedido formal na 19ª semana de gravidez, no fim de janeiro. A Justiça, no entanto, demorou mais três semanas para autorizar. 

Na hora do procedimento, na manhã dessa quarta, os médicos desistiram e alegaram objeção de consciência. Quase todos deixaram o local, inclusive o anestesista. De acordo com eles, a demora da Justiça trazia riscos para a mãe e a operação seria de alto risco,  já que Lúcia estava com uma gravidez avançada para abortar.

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Sendo assim, a médica Cecília Ousset ficou responsável. Segundo ela, “algo deveria ser feito, pois a menina apresentava sintomas de pré-eclâmpsia e não teria como chegar aos oito meses de gravidez”. Cecília, por sua vez, resolveu fazer a cesárea sem consultar Lúcia. 

No começo da noite, o hospital divulgou um comunicado informando que a menina passava bem e que o bebê, com apenas 600 gramas, encontrava-se em uma incubadora, em estado grave.

Durante toda a tarde, um grupo de feministas se reuniu em frente ao hospital e protestou contra a decisão dos médicos. Para elas, a Justiça foi lenta de propósito e isso acontece em vários casos no interior, até que se chegue a um ponto da gravidez em que não seja mais possível realizar o aborto.

“Não se entende porque realizaram essa cesárea, isso é uma tortura e um abuso de direitos humanos da garota”, disse Estafania Cioffi, da Rede de Profissionais da Saúde pelo Direito de Decidir. O secretário de saúde de Tucumán, Gustavo Vigliocco, por sua vez, disse que a cesárea era possível porque a garota tinha mais de 50kg.

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Esse não é o primeiro caso do tipo neste ano. Em janeiro, na província de Jujuy, uma menina de 12 anos tinha autorização judicial para realizar um aborto e, no momento do procedimento, os médicos decidiram por conta própria realizar uma cesárea. O bebê faleceu alguns dias depois.

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