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Diante de bloqueio de tropas aliadas ao regime chavista, veículos retornaram a estacionamento em Roraima; Guaidó promete imunidade a militar que liberar passagem e vai à Colômbia discutir crise com líderes das Américas

Carregamentos de ajuda humanitária do Brasil e dos EUA aguardam liberação de fronteiras para entrar na Venezuela
Divulgação/TV NBR
Carregamentos de ajuda humanitária do Brasil e dos EUA aguardam liberação de fronteiras para entrar na Venezuela

Os caminhões carregados com alimentos e remédios que aguardavam desde a tarde desse sábado (23)  na fronteira do Brasil com a Venezuela deram um passo atrás. De acordo com o governo brasileiro, a efetivação da  ajuda humanitária planejada em cooperação com os Estados Unidos não se deu "em função da impossibilidade de prosseguir em território venezuelano".

O que tornou impossível a chegada da ajuda humanitária ao país foram as tropas da Guarda Nacional Bolivariana, leais ao regime de Nicolás Maduro. Os militares fecham as fronteiras da Venezuela com o Brasil e com a Colômbia, onde também há um comboio de caminhões aguardando a liberação da passagem.

Em nota divulgada na noite deste domingo (24), a Secretaria Especial da Comunicação Social da Presidências da República informou que as camionetes que levariam leite em pó e kits médicos ao território venezuelano estão agora estacionadas no Pelotão Especial de Fronteira, em Pacaraima (RR).

Juan Guaidó chegou à Colômbia, onde discutirá crise na Venezuela
Divulgação/Twitter - @jguaido
Juan Guaidó chegou à Colômbia, onde discutirá crise na Venezuela

O governo brasileiro assegurou que "novos deslocamentos serão planejados à medida que os meios de transportes estejam disponíveis e a situação diplomática e de segurança esclarecidas". 

Guaidó faz apelo para liberar avanço da ajuda humanitária

A entrega dos insumos não depende da cooperação internacional que envolve países como o Brasil, os Estados Unidos, o Chile e a Colômbia. O transporte dos carregamentos para dentro da fronteira da Venezuela é realizado por venezuelanos contratados pelo opositor de Maduro, o autodeclarado presidente interino Juan Guaidó .

Guaidó, nesse sábado, fez apelo para que os militares que guardam as fronteiras liberem a passagem dos veículos . O presidente interino – reconhecido por governos como o do brasileiro Jair Bolsonaro (PSL) – prometeu imunidade aos militares que descumprirem com as ordens do regime Maduro e autorizem a passagem dos caminhões.

O próprio Guaidó liderou um comboio com dez caminhões que tentaram cruzar a fronteira entre a cidade colombiana de Cúcuta e a venezuelana Ureña, mas encontrou bloqueios nas pontes que cruzam o rio Táchira.

Maduro diz que ajuda humanitária é "brincadeira de enganar bobo"

Nicolás Maduro atacou Donald Trump e Juan Guaidó durante pronunciamento em Caracas, na Venezuela
Reprodução/VTV Canal 8
Nicolás Maduro atacou Donald Trump e Juan Guaidó durante pronunciamento em Caracas, na Venezuela

Foram registradas  deserções tanto na fronteira com o Brasil quanto na fronteira com a Colômbia, onde integrantes da Guarda Nacional Bolivariana assumiram a condução de veículos blindados para tentar remover contêineres que bloqueavam uma das pontes do rio Táchira.

O número de militares que se voltaram contra as ordens de Maduro , no entanto, não foi suficiente para que a ajuda entrasse no território do país.

A 'vitória' foi celebrada por aliados do líder chavista ao longo deste domingo. "Mostramos a eles: não caímos no que queriam, não demos os mortos que eles queriam, agimos de forma muito inteligente até a vitória", declarou o líder governista Diosdado Cabello.

Pelas redes sociais, Cabello continuou. "Apesar de os semeadores da guerra e do ódio com suas mentiras, nossa pátria amanheceu em absoluta paz. O imperialismo e seus aliados não podem com a férrea vontade de nosso povo de viver em pás. Nós venceremos!", bradou.

O veto à entrada da ajuda humanitária ao país foi explicado pelo próprio Nicolás Maduro. Em discurso para seus apoiadores em Caracas , o presidente disse que trata-se de "comida podre" enviada pelo norte-americano Donald Trump como pretexto para dar início a uma invasão militar.

"Por trás dessa comida podre que chamam de ajuda humanitária, tentam esconder a ameaça do monstro Donald Trump. Donald anunciou que ele está contemplando uma invasão militar contra a Venezuela. Ajuda humanitária? A quem Donald Trump ajudou em sua vida?", indagou.

"O que ele quer é a imensa riqueza que tem a Venezuela. Quer acabar com a nossa bela revolução do século 21 democrática, livre, constitucional. Essa é a verdade", continuou o chavista, que chamou o envio de alimentos e remédios de "brincadeira de enganar bobo". "Abram os olhos, queridos compatriotas. Estão fazendo operação para invadirem com militares, colonizar nosso país e roubarem nossas riquezas por mais 100 anos."

A proibição à entrada de ajuda humanitária na Venezuela provocou confrontos violentos nos últimos dias  nas fronteiras vigiadas pelas tropas de Maduro. Já nessa segunda-feira (26), representantes de países das Américas se reunirão em Bogotá, na Colômbia , para discutir a crise venezuelana. Juan Guaidó desembarcou na cidade nesse domingo, bem como o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão (PRTB), e o ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores), que representarão o Brasil na cúpula.

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