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Delcy Rodriguez afirmou que alimentos enviados pelos Estados Unidos estão envenenados; doações internacionais devem chegar ao país no dia 23

Manifestantes contra o governo de Nicolás Maduro pediam a entrada de ajuda humanitária na Venezuela
Reprodução/Twiiter
Manifestantes contra o governo de Nicolás Maduro pediam a entrada de ajuda humanitária na Venezuela

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, disse que a ajuda humanitária enviada ao país pelo governo dos Estados Unidos está "envenenado" e pode até causar doenças como câncer. "Poderíamos dizer que são armas biológicas, o que pretendem introduzir com essa ajuda humanitária", afirmou Rodriguez, em discurso na terça-feira (12).

A vice-presidente baseou seu argumento em um estudo realizado pelo Centro Nacional de Informações sobre Biotecnologia (NCBI), ligado ao National Library of Medicine, dos Estados Unidos, segundo o qual os alimentos desidratados, como os enviados de Washington para a Colômbia para fazê-los chegar Venezuela , apresentam dióxido de enxofre, o que pode causar dores de estômago, erupções cutâneas e ataques de asma em pessoas que sofrem da doença.

Em meio à chegada da primeira carga de ajuda humanitária ao, o presidente Nicolás Maduro manifestou sua insatisfação com a “intervenção” norte-americana e apontou o país de Donald Trump como o principal causador da crise venezuelana.

Em entrevista à BBC News, divulgada na terça-feira (12), Maduro garantiu que não aceitará que o país receba ajuda humanitária dos Estados Unidos, já que esse seria um “show” projetado pelo país como uma forma de controlar e intervir na política venezuelana. “Eles são belistas que querem tomar a país."

Nos últimos meses, o país vem enfrentando grave escassez de itens básicos, como medicamentos e alimentos. Porém, tal questão foi negada por Maduro, que afirmou que o país tem a capacidade de satisfazer as necessidades de seu povo e que não precisa de “migalhas de ninguém”.

Por outro lado, o presidente autoproclamado, Juan Guaidó , marcou para o próximo dia 23 a data para entrada no país de doações internacionais. Neste dia completará um mês que ele se proclamou presidente da República.

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“Um mês depois que nós, venezuelanos, fizermos o juramento, 23 de fevereiro será o dia da ajuda humanitária para entrar no país. A partir de hoje vamos nos organizar para a maior mobilização da nossa história”, afirmou Guaidó no seu perfil no Twitter.

Guaidó também anunciou que haverá um centro de distribuição de doações em Roraima. O centro faz parte da cooperação coordenada por um gabinete interministerial do Brasil, envolvendo os ministérios da Saúde e da Defesa, e será instalado nos próximos dias.

 “Para que a ajuda humanitária entre, precisamos de organização e mobilização. Não há ninguém que possa contra uma maioria organizada”, alertou Juan Guaidó, informando que no sábado (16) serão organizados conselhos destinados à organização da ajuda humanitária.

Segundo o venezuelano, no domingo (17) haverá “acampamentos humanitários itinerantes” em distintos pontos do país. “Tudo o que estamos fazendo é impedir que continuemos a ver os venezuelanos sofrerem. Já basta. É hora de ajudar”, ressaltou nas redes sociais.

Guaidó disse ainda que haverá mais um centro de distribuição de ajuda humanitária, além de Roraima e Cúcuta, na Colômbia. De passagem por Brasília, a nova embaixadora venezuelana no Brasil, María Teresa Belandria, disse na segunda-feira (11) que há necessidade de alimentos, medicamentos, transporte e logística.

Em meio a crise vivida no país, milhares de manifestantes saíram na terça-feira às ruas da capital Caracas e de outras cidades do país para protestar contra e a favor do governo de Nicolás Maduro . As manifestações em favor do presidente Maduro se concentraram principalmente nas ruas de Caracas, como parte da marcha para a celebração do Dia da Juventude e em defesa da soberania do país.

"Eu quero a paz para a  Venezuela , todos queremos paz para a Venezuela. Que os tambores da guerra se afastem, que as ameaças de invasão militar se afastem e que a Venezuela diga em um só coro, com uma só voz:  Queremos paz! Queremos felicidade!", discursou Maduro. Já em ruas de outras cidades do país, manifestantes pediam a entrada de ajuda humanitária no país.

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