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O ministro da Justiça da Itália, Alfonso Bonafede, informou ter escolhido o presídio de Massama, que fica em uma ilha, por “questões de segurança”

Cesare Battisti desembarcou nesta segunda-feira (14) em Roma, após 40 anos de fuga da Itália
Reprodução/Polizia di Stato
Cesare Battisti desembarcou nesta segunda-feira (14) em Roma, após 40 anos de fuga da Itália

O ex-terrorista Cesare Battisti, de 64 anos, ficará seis meses em uma cela isolada no presídio de Massama, em Oristano, na Sardenha, Itália. Depois, ele passará outros seis meses na solitária apenas durante o dia. Após 40 anos de fuga, ele chegou à penitenciária escoltado por um forte esquema de segurança. 

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O ministro da Justiça, Alfonso Bonafede, informou ter escolhido o presídio de Massama por “questões de segurança”. O local fica em uma ilha na Sardenha. Inicialmente, Battisti ficaria na penitenciária de Rebibbia, em Roma.

"Nós dissemos ao mundo que ninguém pode escapar da justiça italiana. Battisti é culpado de crimes graves. Muitos anos se passaram, mas as feridas não foram esquecidas. Esse é o resultado de uma equipe trabalhando unida, não só do governo e da polícia, mas de todas as instituições italianas. É uma conquista histórica”, disse Bonafede.

Para o ministro da Justiça, a defesa de Battisti buscará reverter a sentença, que é  de prisão perpétua. Ele foi condenado à pena máxima na Itália pelo assassinato de quatro pessoas, na década de 1970, quando integrava o grupo Proletários Armados pelo Comunismo.

A prisão de Cesare Battisti

Cesare Battisti perdeu a condição de refugiado político no Brasil
Reprodução/Twitter
Cesare Battisti perdeu a condição de refugiado político no Brasil

Cesare Battisti estava no Brasil desde 2004 e, no país, chegou a ser preso em duas ocasiões. Em 2009, o então ministro da Justiça, Tarso Genro , concedeu refúgio político ao italiano, que se encontrava preso há dois anos. O caso foi discutido no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), que deixou a palavra final para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em seu último dia de governo, em 31 de dezembro de 2010, o petista decidiu conceder asilo a Battisti.

O imbróglio jurídico envolvendo o terrorista, no entanto, não se encerrou. Até que, no dia 13 de dezembro de 2018, o ministro do STF Luiz Fux ordenou a prisão preventiva do italiano. No dia seguinte, o presidente Michel Temer (MDB) assinou decreto anulando a medida de Lula que favorecia Battisti. 

A Polícia Federal brasileira fez mais de 30 tentativas de encontrar o italiano, mas não o encontrou. A cooperação entre as autoridades brasileiras, italianas e bolivianas, no entanto, acabou dando resultado no último sábado, quando Battisti foi detido enquanto caminhava (com disfarce) por rua da cidade de Santa Cruz de La Sierra.

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O governo Jair Bolsonaro (PSL) fez reunião às pressas nesse domingo (13) para avaliar como o Brasil deveria agir quanto à prisão do terrorista. Foi anunciada a intenção de que Battisti fosse trazido ao Brasil antes de seguir para a Itália e até mesmo um avião da PF decolou rumo a Santa Cruz de La Sierra. Mas um acordo fechado paralelamente entre autoridades da Bolívia e da Itália frustrou os planos do governo brasileiro e definiu a partida de Cesare Battisti diretamente para Roma.


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