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Apontado como terrorista pelos italianos, ex-ativista do grupo Proletários Armados pelo Comunismo fez vítimas como policiais e açougueiro na Itália

Crimes de Cesare Battisti envolvem assassinatos na Itália
José Cruz/Agência Brasil
Crimes de Cesare Battisti envolvem assassinatos na Itália


Preso na Bolívia na manhã deste domingo (13)  após ser apontado como foragido desde que perdeu o direito de refugiado político pelo governo brasileiro , Cesare Battisti foi condenado na Itália por terrorismo e participação em quatro assassinatos cometidos na década de 1970, quando o país enfrentava problemas ligados à violência política. Conheça melhor quais foram os crimes de Cesare Battisti.

A primeira vítima foi Andrea Santoro, um marechal da polícia penitenciária de 52 anos. Ele vivia uma vida tranquila com a mulher e três filhos em Údine, mas, em 6 de junho de 1978, foi morto pelo grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), usado na maioria dos crimes de Cesare Battisti na época em que ele era filiado.

Segundo os investigadores, os assassinos o esperaram na saída da prisão e o balearam. A Justiça diz que Battisti e uma cúmplice foram os autores dos disparos, e os dois teriam trocado falsas carícias até o momento do atentado.

Em 16 de fevereiro de 1979, os PAC fizeram uma ação dupla, matando o joalheiro Pierluigi Torregiani, em Milão, e o açougueiro Lino Sabbadin, em Mestre, parte de Veneza que fica em terra firme. Na reivindicação, o grupo disse ter "colocado fim" à sua "esquálida existência.

Tanto o joalheiro quanto o açougueiro haviam matado ladrões a tiros em tentativas de roubo, e os atentados teriam sido uma vingança. "Finalmente, acredito que dessa vez é de verdade. Acho que hoje é um bom dia", disse à ANSA o filho de Torregiani, Alberto, que estava com o pai no dia do ataque e acabou paraplégico.

"Não quero nem falar em perdão, é uma palavra que Cesare Battisti deve aprender", reforçou o filho de Sabbadin, Adriano. "É um momento de satisfação depois de 40 anos de espera", disse.

O açougueiro era militante do partido neofascista Movimento Social Italiano (MSI). A quarta vítima era o policial Andrea Campagna, morto em 19 de abril de 1979, em Milão. Um desconhecido se aproximou do agente e disparou a sangue frio.

 "Esperamos que desta vez ele seja extraditado", disse o irmão de Campagna, Maurizio, que ainda está cético quanto à possibilidade de Battisti cumprir sua pena.

Neste domingo (13), ficou decidido que o terrorista será enviado para o Brasil para depois ser extraditado à Itália , país em que aconteceram os crimes de Cesare Battisti . O presidente Jair Bolsonaro e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, colocaram o Itamaraty à disposição do governo italiano para que o criminoso seja enviado ao país em que foi condenado a prisão perpétua.

*Com Ansa

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