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Segundo Yasin Aktay, assessor do presidente Erdogan, os assassinos de Jamal Khashoggi queriam assegurar que não deixariam rastros: "É uma vergonha"

Segundo Yasin Aktay, assessor do presidente turco Recep Tayyip Erdogan, os assassinos do jornalista saudita
Reprodução/CNN
Segundo Yasin Aktay, assessor do presidente turco Recep Tayyip Erdogan, os assassinos do jornalista saudita "não se conformaram em desmembrá-lo, e se livraram do corpo dissolvendo-o"

Em entrevista ao jornal Hürriyet, Yasin Aktay, assessor do presidente turco Recep Tayyip Erdogan, afirmou que o corpo do jornalista saudita Jamal Khashoggi (foto) foi desmembrado para ser dissolvido com mais facilidade. Khashoggi foi assassinado há exatamente um mês no consulado saudita em Istambul, na Turquia, e seu corpo ainda não foi encontrado.

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As informações são da Agência France Presse (AFP). Segundo Aktay, os assassinos do jornalista saudita "não se conformaram em desmembrá-lo, e se livraram do corpo dissolvendo-o". "De acordo com as últimas informações que temos, a razão pela qual desmembraram o corpo de Jamal foi para que fosse dissolvido mais facilmente", completou o assessor de Erdogan.

Ainda segundo Aktay, que tinha boas relações com Khashoggi, todos os locais para onde levam as câmeras de segurança do consulado foram examinados, mas o corpo do jornalista não foi encontrado. "Os assassinos queriam assegurar que não deixariam rastros. Matar uma pessoa inocente é crime, mas o que fizeram com o corpo é outro crime e uma vergonha", disse o representante do governo turco.

De acordo com a  Agência France Press , uma fonte do governo de Erdogan afirmou ao jornal norte-americano The Washington Post que as autoridades locais ainda investigam para descobrir se o corpo de Khashoggi foi dissolvido no consulado ou na residência do cônsul.

O dia do assassinato 

Jamal Khashoggi, jornalista saudita e colaborador do The Washington Post, foi assassinado em 2 de outubro. Seu país nega qualquer envolvimento do príncipe herdeiro Mohammad bin Salman no crime
Reprodução/Al Manar
Jamal Khashoggi, jornalista saudita e colaborador do The Washington Post, foi assassinado em 2 de outubro. Seu país nega qualquer envolvimento do príncipe herdeiro Mohammad bin Salman no crime

Há exatamente um mês, no dia 2 de outubro, o jornalista Jamal Khashoggi, que era crítico do governo da Arábia Saudita e colaborador do jornal The Washington Post , foi ao consulado de seu país em Istambul para obter uma certidão necessária para seu casamento.

Em um primeiro momento, o governo saudita disse que Khashoggi havia deixado o consulado pouco depois de entrar. Depois, afirmou que ele morreu  durante uma briga e, mais tarde, finalmente reconheceu que o ato foi uma "operação não autorizada" pelo próprio regime. Representantes de Riad, capital do país, negam qualquer envolvimento do príncipe herdeiro Mohammad bin Salman no crime.

Logo após o assassinato de Khashoggi, a Procuradoria de Istambul afirmou em comunicado que a vítima foi esquartejada e seus executadores se livraram do corpo, mas não indicou para onde foi levado.

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Depois que o presidente Erdogan afirmou que há "fortes sinais" de que o assassinato foi planejado, a Arábia Saudita anunciou que vai responsabilizar “quem quer que seja” pelo assassinato do jornalista saudita e aqueles que falharam em suas funções.

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