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Restos mortais foram achados em valas feitas durante massacre ocorrido em 1994, após grupo étnico hutus exterminar 70% da população tutsi na África

Federação de Associações Ibuka revelou que mais de 18 mil corpos de vítimas de genocídio em Ruanda foram encontrados
Reprodução/Memorial de Nyamata/Wikimedia Commons
Federação de Associações Ibuka revelou que mais de 18 mil corpos de vítimas de genocídio em Ruanda foram encontrados

A Federação de Associações de Sobreviventes Ibuka comunicou nesta quarta-feira (19) que mais de 18 mil corpos foram encontrados em valas construídas durante o genocídio em Ruanda, ocorrido em 1994.  Segundo o representante da Ibuka, Theogene Kabagambire, o número diz respeito aos últimos cinco meses de busca acerca do massacre perpetrado por grupos étnicos extremistas: hutus contra tutsis.

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Kabagambire explicou que a procura pelos restos mortais começou no dia 11 de abril, depois que um acusado de participar do genocídio em Ruanda revelou a localização das fossas. Durante esse período, foram descobertas 41 valas na zona da capital, Kigali, distribuídas nos distritos de Rusororo e Gasabo.

"Na cidade de Kabeza, do setor de Rusororo, foram demolidas três casas depois das pistas recebidas. Encontramos 20 valas comuns sobre as quais as casas tinham sido construídas. Debaixo de uma, havia oito fossas , enquanto as outras estavam sobre sete e cinco, respectivamente", afirmou Kabagambire.

Ao longo desse processo, a associação esperava encontrar entre 15 mil e 25 mil vítimas. A equipe também estima realizar um grande funeral aos mortos no 25º aniversário do massacre no ano que vem.

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Vítimas de genocídio em Ruanda foram descobertas 24 anos após o massacre

Genocídio em Ruanda gerou extermínio de 20% a 40% da população de Ruanda, atualmente, o país mais populoso da África
Reprodução/Youtube
Genocídio em Ruanda gerou extermínio de 20% a 40% da população de Ruanda, atualmente, o país mais populoso da África

A descoberta desses exatos 18.529 corpos, segundo a organização, representa um aspecto negativo para as iniciativas que buscavam unir os ruandeses, já que as pessoas preferiram manter tal informação em segredo por 24 anos.

Kigali e os bairros periféricos foram algumas das áreas mais afetadas do genocídio, justamente por serem consideradas como as últimas fortificações das milícias hutus antes que as forças da Frente Patriótica Ruandesa (RPA) entrassem para libertar essas zonas.

Acredita-se que no massacre de 1994, houve extermínio de 20% a 40% da população de Ruanda, atualmente considerado o país mais populoso da África, com sete milhões de habitantes. A equipe da Ibuka identificou que 70% das vítimas mortais foram tutsis, assassinadas pelos hutus logo após o avião do presidente ruandês Juvenal Habyarimana ser derrubado em abril de 1994, causando sua morte.

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O assassinato de Habyarimana, morto junto ao presidente de Burundi, Cyprien Ntaryamira, que o acompanhava durante o voo, é tido como apenas um dos fatores que deram início ao genocídio em Ruanda . Especialistas afirmam que, mesmo após mais de duas décadas, o massacre permanece inexplicado.

*Com informações da Agência Brasil