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Decisão vem após crítica do órgão de direitos humanos à política migratória de Trump; estima-se que pelo menos 2 mil crianças tenham sido tiradas de seus pais e levadas para campos de acolhimento diferentes

Após críticas, EUA abandonaram Conselho de Direitos Humanos da ONU
Reprodução/NBC
Após críticas, EUA abandonaram Conselho de Direitos Humanos da ONU

Os Estados Unidos anunciaram, na noite de terça-feira (29), sua retirada do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. O anúncio foi feito pela embaixadora norte-americana na ONU, Nikki Haley.

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A decisão vem após os EUA receberem críticas do Conselho de Direitos Humanos por uma determinação de Donald Trump que separa crianças imigrantes de seus pais perto da fronteira com o México. Estima-se que pelo menos 2 mil crianças tenham sido tiradas de seus pais e levadas para campos de acolhimento diferentes.

Os americanos alegaram, contudo, que seus esforços para reformar o órgão sediado Genebra foram em vão. "Nenhum país teve a coragem de participar da nossa luta", comentou, classificando de "hipócrita" o Conselho ao lidar com assuntos mundiais.

Haley, porém, afirmou que a saída dos EUA não altera o compromisso do país com os direitos humanos.

O secretário-geral da ONU , o português Antonio Guterres, lamentou a saída dos EUA. "Eu preferiria que os EUA permanecessem no Conselho dos Direitos Humanos".

Apesar de vários países terem criticado a decisão, Israel, também alvo de reprimendas do Conselho por suas ações violentas contra a Palestina, elogiou a medida. "O Conselho de Direitos Humanos há muito tempo é um inimigo daqueles que têm colocado o coração nos Direitos Humanos do mundo", disse Danny Danon, embaixador de Israel na ONU.

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Trump isolado

Já Donald Trump, embora afirme que não voltará atrás em sua política radical contra a entrada de imigrantes latinos no país, vem sofrendo pressão dos Democratas, o partido de oposição do governo. Mas não só: os Republicanos também se posicionaram contra a medida de Trump.

“Eu apoio, e todos os membros da conferência do partido Republicano apoiamos, um plano para manter as famílias unidas enquanto seu status migratório é determinado”, disse o senador Mitch McConnel, líder do partido, ao jornal The Washington Post .

E se no Conselho de Direitos Humanos e nas duas casas do Congresso o apoio a Trump está em baixa, a situação não é diferente dentro de sua própria família: Melania Trump, esposa do presidente, foi outra das que criticou a medida do magnata.

"A primeira-dama odeia ver crianças separadas de suas famílias e espera que ambos os lados [democratas e republicanos] possam se unir para obter uma reforma migratória de sucesso", disse a porta-voz de Melania  Trump , Stephanie Grisham

* Com informações da Ansa

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