Tamanho do texto

Em dia que deveria ser marcado pela escolha democrática, venezuelanos relatam a vital busca por melhores condições de vida nos países vizinhos

Refugiada viajou grávida de sete meses; quem ficou, hoje escolhe, sob muita pressão, o 'novo' presidente da Venezuela
Kira Kariakin/Flickr/CC
Refugiada viajou grávida de sete meses; quem ficou, hoje escolhe, sob muita pressão, o 'novo' presidente da Venezuela

Embora muitos venezuelanos estejam decepcionados com o governo do país, eles não encontram conforto quando pensam na oposição. Isso porque ela aceitou dialogar com o atual presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, depois de mortes ocorridas em protestos no país, para dizer, em seguida, que foi enganada e pregar a abstenção.

Leia também: Às vésperas das eleições presidenciais, Venezuela fecha fronteira com o Brasil

Nesse contexto, quem vive na por lá e busca por melhores condições de vida, pouco está esperançoso com as eleições para presidente da Venezuela que acontecem hoje – e não vê outra escapatória, se não deixar o país. “Achamos que a única saída, por enquanto, é fora da Venezuela", disse Freddy Hernández, de 32 anos.

Em entrevista cedida às vésperas do pleito, Hernández contou que trabalha com informática e que tinha um bom emprego em um banco na Venezuela. Porém, com a desvalorização do bolívar (moeda do país), seu salário passou a valer US$ 5, o que "mal dava para sustentar a mulher e filha”.

Frente a isso, o venezuelano decidiu largar tudo o que tinha e partiu rumo à Argentina para recomeçar a sua vida. Ele chegou em Buenos Aires há poucos dias.

“Até pouco tempo atrás, um venezuelano na Argentina era uma flor exótica. Hoje, em cada esquina, bar ou comércio que você for, em Buenos Aires, tem um, dois ou três venezuelanos atendendo”, disse o presidente da Associação de Venezuelanos na Argentina, Victor Pensa.

Atualmente, há 70 mil venezuelanos vivendo na Argentina e a previsão é de que cheguem muitos mais. Afinal, a tendência é mundial: segundo a Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), o número de venezuelanos que solicitou refúgio oficialmente, no mundo inteiro, aumentou assustadores 2.000% desde 2014.

Leia também: Venezuelanos vão às urnas para eleições presidenciais neste domingo; acompanhe

“Os que podem saem, mas muitos não têm condições. É preciso comprar divisas para sair da Venezuela, e isso custa caro”, afirmou a engenheira Andrea Bonilla, que viajou para a Argentina, grávida de sete meses e meio

Só no ano passado, 94 mil venezuelanos pediram refúgio oficialmente – e a maioria deles está cruzando a fronteira a pé, para o Brasil e para a Colômbia.

'O que podemos fazer é orar pelo futuro da Venezuela'

Andrea não quer que seu filho nasça num país governado por Maduro . Por isso, se arriscou em uma viagem com uma gravidez avançada. 

“Na Venezuela, falta tudo – comida, remédios, produtos básicos. Se nossa filha nascesse na Venezuela , íamos demorar muito para conseguir os papéis para ela deixar o país – o Estado entrou em colapso, e existe muita corrupção”, acrescentou a engenheira.

Nesse sábado (19), às vésperas das eleições para escolher o novo presidente da Venezuela – pleito que deve ser ganhado por Maduro –, os membros da Associação de Venezuelanos na Argentina mandaram celebrar uma missa na Igreja Nossa Senhora de Guadalupe. “O único que podemos fazer é orar pelo futuro da Venezuela e para que alguma coisa mude", desabafou a cantora Eukarina Rodríguez, que trabalha como voluntária.

Leia também: Força-tarefa acelera preparação de abrigos para venezuelanos que dormem na rua

* Com informações e reportagem da Agência Brasil.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.