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Guterres condena uso de armas químicas e pede que os países-membros da ONU se unam e assumam a responsabilidade de manter paz e segurança

António Guterres, secretário-geral da ONU, pediu que países fossem moderados e que mantenham a
Evan Schneider/ UN - 03.09.2013
António Guterres, secretário-geral da ONU, pediu que países fossem moderados e que mantenham a "paz e segurança"

De acordo com o Conselho de Segurança da ONU, uma reunião foi marcada para este sábado (14), ao meio dia, no horário de Brasília, que discutirá os ataques na Síria, conforme solicitaram os diplomatas russos.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu que os países-membros da organização fossem moderados “nestas circunstâncias perigosas” e respeitem o direito internacional.

A fala de Guterres refere-se ao ataque de mísseis lançados nas últimas horas por Estados Unidos, França e Reino Unido contra a Síria , em retaliação ao suposto ataque químico ocorrido há uma semana na cidade de Duma, na Síria, que deixou três civis feridos na província de Homs, e teria sido comandado por Bashar al-Assad em abril.

"Peço a todos os estados membros que mostrem moderação nestas circunstâncias perigosas e evitem qualquer possível escalada da situação e o sofrimento do povo sírio", declarou o porta-voz da ONU, através de um comunicado.

Em seu texto, Guterres também lembrou que o Conselho de Segurança tem como "principal responsabilidade a manutenção da paz e a segurança", e pede que seus membros se unam "e assumam essa responsabilidade".

“Guerra Fria voltou”

Nesta semana, o conselho havia se reunido em quatro ocasiões diferentes justamente para discutir o caso sírio, mas nenhum acordo foi feito. Nos debates, ficaram evidenciadas as divisões entre EUA e Rússia em relação à Síria, a ponto de Guterres dizer que “a Guerra Fria voltou”.

Armas químicas

No comunicado, o secretário-geral da ONU também ressalta que repudia o uso de armas químicas, falando que o sofrimento que provoca "é horrível". "Eu expressei repetidamente minha profunda decepção pelo fato de que o Conselho de Segurança tenha fracassado para criar um mecanismo efetivo que estabeleça responsabilidades pelo uso de armas químicas na Síria", afirmou. "Peço ao Conselho de Segurança que assuma suas responsabilidades e preencha essa lacuna", completou Guterres.

O regime sírio insiste em dizer que não foi feito nenhum uso de armas químicas, que são proibidas por convenções da ONU. A Rússia, aliada da Síria na guerra, afirma que há provas de que as imagens do suposto ataque químico em Duma são uma encenação .

Otan

Já os representantes da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte, aliança militar ocidental) também estão planejando um encontro extraordinário para conversar com oficiais dos Estados Unidos e França, países aliados que decidiram atacar a Síria na noite de sexta-feira (13).

De acordo com o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, se mostrou a favor da ação coordenada com alvo nas instalações sírias de armas químicas. Para ele, os ataques vão corroer a capacidade de novas ações com armas químicas contra a população síria.

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Ataque 

O ataque aéreo foi feito por uma força conjunta entre os três países na sexta-feira.  As forças aéreas e marinhas lançaram os primeiros ataques às 22h, no mesmo momento em que o presidente norte-americano, Donald Trump, fazia um pronunciamento anunciando o ataque. 

Segundo com o Pentágono, três alvos foram atingidos pelo ataque: um centro de pesquisa e produção de armas químicas e biológicas em Damasco, um armazém de armas químicas em Homs e  uma base militar também em Homs.

"Ordenei às forças armadas dos Estados Unidos a lançar ataques precisos em alvos associados com estabelecimentos de armas químicas do ditador sírio Bashar al-Assad", disse o presidente Donald Trump em seu depoimento na Casa Branca após o ataque.

O presidente francês, Emmanuel Macron, confirmou o bombardeio e disse que "arsenais químicos clandestinos" seriam os alvos da operação. A primeira ministra britânica, Theresa May, também deu uma declaração oficial. "As forças militares britânicas foram autorizadas a conduzir ataques coordenados com o intuito de diminuir o número de armas químicas do regime sírio", disse.

Porém, a rede de televisão estatal Syria TV informou que a força aérea da nação sírio conseguiu derrubar 13 mísseis lançados pelo países ocidentais nos subúrbios de Damasco. Ainda de acordo com a estatal, 110 mísseis foram atirados contra o território sírio, mas a maioria deles foi interceptada.