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Governo sírio bloqueou a entrada de parte dos medicamentos necessários para atender os civis atingidos pelos bombardeios das últimas semanas

No fim, apenas 27.500 moradores de Ghouta, na Síria, vão receber os alimentos
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No fim, apenas 27.500 moradores de Ghouta, na Síria, vão receber os alimentos

Após semanas de intensos bombardeios, o primeiro comboio de auxílio aos civis chegou a Ghouta, na Síria, nesta segunda-feira (5). No entanto, apesar de estarem autorizados a fornecer comida e medicamentos para aproximadamente 27 mil das 400 mil pessoas presas na cidade, funcionário da ajuda humanitária afirmaram que o exército sírio não permitiu a entrada de todo o carregamento médico necessário.

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A entrega da ajuda - a primeira em semanas - oferecerá uma breve pausa para alguns dos moradores, que sofreram duas semanas de violência intensa apesar de uma resolução do conselho de segurança da Organização da Nações Unidas (ONU) na semana passada exigir um cessar-fogo e a entrega de ajuda. A carnificina em Ghouta continuou apesar de uma trégua diária de cinco horas ordenada pelo presidente russo Vladimir Putin.

O comboio desta segunda, formado por 46 caminhões, foi acompanhado pelas Nações Unidas, pela Organização Mundial da Saúde e pelo Crescente Vermelho. No fim apenas 27.500 moradores vão receber os alimentos, já que o governo sírio bloqueou a entrada do resto do material.

"Não é guerra, é massacre"

Os confrontos na região continuaram mesmo depois do Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovar um acordo de 30 dias de cessar-fogo na região. A resolução foi estabelecida após o país registrar 500 civis mortos . A previsão inicial era que ficassem isentas somente as ações contra Estado Islâmico, Al-Qaeda, al Nusra e outros "grupos, indivíduos e entidades" filiadas ao terrorismo.

No último dia 19, cinco hospitais foram bombardeados pelas forças pró-governo. "Estamos diante do massacre do século 21", disse um médico no leste de Ghouta ao jornal The Guardian .

E acrescenta: "Pouco tempo atrás, uma criança veio a mim com a pele azulada, respirando muito mal, a boca cheia de areia. Esvaziei-a com as minhas mãos. Não encontraremos respostas sobre o que fazer com isso em nenhum livro médico. Uma criança ferida respirando com pulmões cheios de areia".

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Em 2013, a região de Ghouta foi atingida por um  ataque químico com gás sarin , que deixou mais de 1,3 mil mortos, de acordo com profissionais de saúde da região. O uso desse tipo de arma é visto como um crime de guerra por organismos de controle de direitos humanos. Na época, o regime da Síria também usou aviões de combate e bombardeio de artilharia contra a população local.