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Sergei Skripal, de 66 anos, e mulher não identificada foram internados e apresentam quadro grave; caso lembra o de outro espião russo, Litvinenko

Caso do ex-espião internado na Inglaterra lembra o de Litvinenko, cuja morte por envenenamento foi atribuída à Rússia
Reprodução/Daily Mail
Caso do ex-espião internado na Inglaterra lembra o de Litvinenko, cuja morte por envenenamento foi atribuída à Rússia

A polícia da Inglaterra afirmou nesta segunda-feira (5) que duas pessoas estão internadas em estado crítico por suspeita de "exposição a uma substância desconhecida" em um shopping da cidade de Whitshire. Uma das vítimas foi identificada como sendo o ex-espião russo Sergei Skripal, de 66 anos, refugiado no país europeu depois de ser condenado pelo governo da Rússia, em 2006, por "repassar informações sigilosas ao Reino Unido". 

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De acordo com a CNN , a outra pessoa contaminada seria uma mulher na casa dos 30 anos, provavelmente conhecida do ex- espião russo. Em uma coletiva de imprensa na noite de hoje (horário local), um porta-voz da polícia afirmou que os dois foram encontrados inconscientes em um shopping e, depois disso, equipes de descontaminação isolaram a área para a limpeza devida. As ruas ao redor do local atingido também foram isoladas, apesar de a agência pública de saúde britânica negar que haja novos riscos. 

O conselheiro-chefe Craig Holder afirmou que os agentes estão investigando o que teria causado o incidente, mas que, a princípio, não há suspeitas de contraterrorismo. Ainda segundo ele, "não existe riscos para a população", pedindo para que "não houvesse especulações sobre o caso". 

O nome de Skripal foi apontado pela BBC News. Até agora, o Ministério do Interior do Reino Unido, a polícia de Wiltshire e o Hospital Salisbury não se pronunciaram sobre a identidade dos dois pacientes. 

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De acordo com o jornal The Guardian, o russo é um ex-coronel condenado a 13 anos de prisão em 2006 na Rússia "por repassar informações secretas às autoridades britânicas". Em sua sentença, o ex-militar foi apontado como grande responsável por transmitir ao governo britânico, desde a década de 1990, as identidades de espiões que trabalhavam secretamente na Europa, informações que chegavam ao serviço secreto MI-6. Na época, o governo russo expôs que Skripal ganhava US$100 mil para realizar os vazamentos. 

Caso anterior

A repercussão do caso ainda misterioso desta segunda-feira trouxe à tona o envenenamento de outro espião russo, envenenado em novembro de 2006.  Alexander Litvinenko era um ex-oficial da agência de espionagem do FSB e morreu após beber uma xícara de chá com polônio radioativo. Ele teria encontrado seus assassinos em um bar no piso térreo do hotel Millennium, em Mayfair, no centro de Londres.

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