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Dados mostram que os abortos seletivos, segundo o sexo do feto, além das melhores condições médicas e de nutrição dispendidas aos meninos geram disparidade de gênero: há 63 milhões de mulheres que foram "perdidas"

Mais de 63 milhões de mulheres estão “perdidas” estatisticamente na Índia, segundo pesquisa do governo
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Mais de 63 milhões de mulheres estão “perdidas” estatisticamente na Índia, segundo pesquisa do governo

A Índia conta com mais de 63 milhões de mulheres “perdidas” estatisticamente da população, além de outras 21 milhões de meninas que não são desejadas por suas famílias, segundo dados oficiais do governo revelados na segunda-feira (30), que fazem parte de uma pesquisa feita anualmente.

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O país possui um abismo nos números entre homens e mulheres – resultado de uma cultura que reforça a disparidade entre gêneros. Meninos recebem melhores cuidados médicos e nutrição desde que nascem, isso quando as meninas nascem. Afinal, o aborto seletivo é comum entre as famílias na Índia , que desejam ter “filhos homens”, o que gera a diferença discrepante nos dados entre a população por gênero.  

Um estudo de 2011, divulgado pela revista médica britânica “The Lancet”, apontou que pelo menos 12 milhões de meninas tinham sido abortadas nas últimas três décadas no país. Isso há quase 10 anos.

Pela análise de dados de nascimentos e do sexo das últimas crianças nascidas no país, é possível entender, portanto, que 21 milhões de meninas não são desejadas por suas famílias. “O desafio de gêneros é de longa data, provavelmente vinda de milênios”, escreveu o autor da pesquisa, conselheiro-chefe de economia do governo, Arvind Subramanian, quem ainda aponta a urgência de o país confrontar “a preferência social pelos meninos”.

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A pesquisa ainda mostra que as famílias que têm nascimentos de meninos são mais propensas a ter menos crianças, enquanto aquelas onde meninas nascem continuam a ter filhos. Vale destacar que o nascimento de um filho é causa de celebração e orgulho para as famílias indianas , enquanto a vinda de uma filha pode trazer “vergonha” e sentimento de “luto” aos pais. Muitas grávidas, inclusive ricas e bem educadas, afirmam sofrer uma “pressão imensa” em gerar meninos, especialmente vinda das sogras.

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O pesquisador ainda defende que o governo e a sociedade mirem no exemplo do nordeste da Índia, onde estão os melhores dados em relação à diferença entre sexos , sendo o lugar mais desenvolvido para a mulher. “Um modelo para o restante do país”, diz. A região apontada por Subramanian possui cultura mais próxima a da China e a de Myanmar.

*Com informações do The Guardian e BBC News, com agência AP

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