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Jonatan Diniz é acusado de manter atividades desestabilizadoras contra o regime de Nicolás Maduro; família vem divulgando apelos nas redes sociais

Itamaraty: prisão do brasileiro Jonatan Moisés Diniz, ocorrida na semana passada, foi anunciada por um deputado
Reprodução/ Facebook/ Jonatan Diniz
Itamaraty: prisão do brasileiro Jonatan Moisés Diniz, ocorrida na semana passada, foi anunciada por um deputado

O Ministério das Relações Exteriores divulgou comunicado nesta quinta-feira (4) em que cobra do governo da Venezuela explicações sobre a situação do brasileiro Jonatan Diniz, de 31 anos, preso há uma semana no estado de Vargas . Em nota, o Itamaraty informa que acionou o Ministério das Relações Exteriores e as autoridades policiais venezuelanas inúmeras vezes para identificar o paradeiro de Diniz e a situação jurídica dele.

Foi solicitada também uma visita consular, medida prevista na Convenção de Viena sobre Relações Consulares. No entanto, o Itamaraty informou que, até o momento, as autoridades policiais não responderam.

Segundo a nota, a Embaixada do Brasil em Caracas também tem buscado junto ao Ministério das Relações Exteriores da Venezuela e às autoridades de segurança mais informações sobre o paradeiro do brasileiro. Até o momento, apesar da promessa de retorno, não houve resposta. A embaixada venezuelana também não prestou qualquer esclarecimento.

Acusações

Catarinense, Jonatan Diniz foi detido no dia 28 de dezembro pelas forças de segurança da Venezuela, no estado de Vargas. Segundo a agência oficial de notícias do governo, ele é acusado de manter atividades desestabilizadoras contra o regime de Nicolás Maduro.

O anúncio da prisão foi feito pelo parlamentar socialista Diosdado Cabello no programa que dirige no canal estatal VTV. Além de Jonatan , foram presos outros três venezuelanos. Eles fariam parte da Organização Não Governamental Time to Change the Earth (“tempo de mudar a Terra”, na tradução em português).

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Para o governo, a entidade seria uma “organização criminosa com tentáculos internacionais”, que distribuiria alimentos e bens a moradores de rua com o objetivo de obter recursos em moeda nacional com vistas a promover ações contra o governo.

Doações e críticas

Em seu perfil no Facebook, Jonatan Diniz publicou diversos pedidos de doações para a organização, que seriam revertidas para ações de caridade a crianças de baixa renda. O catarinense morava nos Estados Unidos, mas viajava à Venezuela para essas iniciativas. Antes, residiu alguns meses em Quito, no Equador, e autuou com a produção de vídeos para um canal no YouTube.

Em uma publicação de 19 de junho, Diniz critica o governo Maduro. “A Venezuela chega a seu dia número 80 de luta nas ruas contra a ditadura. O governo, ao invés de comprar medicamentos para seu povo morrendo nos hospitais e de fome pelas ruas, acaba de gastar mais dinheiro em tanques de guerra para usar contra seu próprio povo que luta por sua liberdade”, comentou.

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Família

A família de Jonatan vem divulgando apelos nas redes sociais pela liberdade do jovem. Uma página foi criada para disseminar informações e mobilizar pessoas. O pai de Jonatan, Luiz Francisco Diniz, divulgou diversas mensagens nas redes sociais pedindo às autoridades providências sobre o caso. “Jonatan e sua família pedem ajuda: liberte esse brasileiro”.

A mãe do brasileiro, Renata Diniz, disse que acredita na libertação por considerar que não há motivo para a prisão. Tanto o consulado brasileiro em Caracas quanto o Itamaraty têm mantido contato com a família.

* Com informações da Agência Brasil

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