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Líder da Igreja Católica relacionou jornada de Maria e José com a de pessoas que são "expulsas de suas terras"; declaração durante tradição de Natal se dá no mesmo dia em que juiz suspendeu medida de Trump contra refugiados

Pronunciamento do Papa Francisco coincide com decisão judicial contra veto de Trump a refugiados
Reprodução/USNews
Pronunciamento do Papa Francisco coincide com decisão judicial contra veto de Trump a refugiados

O papa Francisco celebrou na noite deste domingo (24), véspera de Natal, a tradicional Missa do Galo, durante a qual voltou a lembrar a mais grave crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial e pediu abertura a todos aqueles que "chegam em nossas cidades". O apelo surge no mesmo fim de semana em que um juiz federal americano decidiu suspender parcialmente veto de Donald Trump  à entrada de refugiados nos Estados Unidos.

Em sua homilia, o  papa Francisco fez um apelo em defesa daqueles que são "expulsos de suas terras" e relacionou a jornada de Maria e José e sua fuga com o recém-nascido Jesus para o Egito com o drama de milhões de refugiados no mundo todo.

"Em muitos casos, essa partida é carregada de esperança e futuro. Em muitos outros, essa partida tem apenas um nome: sobrevivência", disse Jorge Bergoglio, que celebrou sua quinta Missa do Galo como Pontífice.

Segundo Francisco, a fé empurra o ser humano a "dar espaço a uma nova imaginação social que não tenha medo de experimentar outras formas de relação, nas quais ninguém deva sentir que nesta terra não há um lugar para ele".

"O Natal é a época de transformar a força do medo na força da caridade, a caridade que não se habitua às injustiças como se elas fossem normais", acrescentou o papa, citando as palavras de São João Paulo II: "Não tenham medo, abram, aliás, escancarem as portas para Deus".

"[Que Deus] nos acorde de nossa indiferença, abra nossos olhos para aqueles que sofrem. Que sua ternura acorde nossa sensibilidade e faça nos sentirmos reconhecidos em todos aqueles que chegam em nossas cidades, nossas histórias e nossas vidas", disse.

Um mundo de refugiados

Segundo relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), o número de deslocados no mundo bateu recorde em 2016 e chegou à marca de 65,6 milhões de pessoas. O montante engloba indivíduos que tiveram de deixar suas casas devido a guerras, conflitos armados, fome, pobreza e perseguições.

Desde que a crise de refugiados explodiu, o Papa vem cobrando ações da comunidade internacional para ajudar os deslocados. Além disso, Francisco pede que os países mantenham suas portas abertas para migrantes forçados - a Itália, onde fica o Vaticano, já resgatou cerca de 120 mil pessoas no Mediterrâneo em 2017.

A Missa do Galo começou às 21h30 (horário local) e foi acompanhada por milhares de fiéis e centenas de cardeais, bispos e padres. Além disso, católicos escolhidos pelo Vaticano leram orações em chinês, árabe, português, romeno e bengali.

Às 9h (horário de Brasília) desta segunda-feira (25), o papa Francisco preside, na praça São Pedro, a bênção "Urbi et Orbi" ("À cidade de Roma e ao mundo"), na qual aborda os principais temas da atualidade.

*Com edições da equipe do iG São Paulo