Tamanho do texto

Gravações foram divulgadas originalmente por um grupo de extrema-direita britânico; internautas também reprovaram atitude do líder da Casa Branca

Donald Trump falou, em coletiva na Coreia do Sul, que o ataque seria pior se houvesse controle de armas no país
Reprodução/NBC
Donald Trump falou, em coletiva na Coreia do Sul, que o ataque seria pior se houvesse controle de armas no país

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou em sua conta pessoal do Twitter vídeos antimulçumanos altamente violentos, que haviam sido publicados originalmente por um grupo de extrema-direita britânico.

Leia também: Trump inclui Coreia do Norte em lista de ‘países patrocinadores do terrorismo’

As imagens foram divulgadas antes de Trump por Jayda Fransen, líder do movimento “Britain First” (Reino Unido em primeiro lugar, em português), que foi detida em Londres, para depor sobre seus discursos de ódio.

Na gravação, um suposto imigrante islâmico agride com chutes e socos um jovem de muletas, que seria natural da Holanda. A pessoa que está gravando é, supostamente, outro jovem, que filma a cena de agressão e faz comentários durante 35 segundos.

Em outro vídeo retuitado por Trump, um homem, que parece ser mulçumano , quebra violentamente uma imagem da Virgem Maria, atirando-a contra o chão, enquanto ele sorri e olha para a câmera. Outro homem está ao seu lado.

Um terceiro vídeo captura o momento em que um suposto grupo mulçumano espanca um rapaz em um telhado de um prédio. De acordo com o Britain First, o jovem apanha até a morte. Então, ele é jogado do alto do edifício e o momento é registrado pela câmera. Um dos agressores parece estar com a bandeira do grupo terrorista Estado Islâmico.

O conteúdo, compartilhado pelo líder da Casa Branca com seus 44 milhões de seguidores do Twitter, porém, não revela a identidade dos agressores, e não há confirmação oficial sobre a veracidade das imagens.

Enquanto candidato à presidência americana, Trump falou sobre “veto a mulçumanos”, e já como presidente, ele proibiu a entrada de alguns imigrantes mulçumanos, mas tribunais impediram a decisão parcialmente.

Leia também: Por troca de favores, Wikileaks teve contato secreto com filho de Trump

Reprovação do Reino Unido

A conduta do republicano foi reprovada pelo governo do Reino Unido. Um porta-voz de Downing Street chamou a atitude de Trump como um erro. “Os britânicos rechaçam unanimemente a retórica tendenciosa da extrema-direita, que é a antítese dos valores que este país representa: decência, tolerância e respeito. É um erro que o presidente tenha feito isso”, afirmou o representante da primeira-ministra britânica Theresa May.

Nas redes sociais, internautas também criticaram o presidente americano, acusando-o de usar as imagens para estigmatizar toda a comunidade mulçumana e incentivar a violência contra fiéis.

“Um mulçumano agride um não-mulçumano e Trump usa como exemplo para bani-los de viajar [aos EUA]. Um branco usa armas, mata 60 pessoas e Trump fica em silêncio sobre o controle de armas. É nojento como Trump usa incidentes para estereotipar grupos inteiros de pessoas”, publicou uma internauta.

Leia também: Coreia do Norte diz que novo míssil lançado pode atingir qualquer área dos EUA

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.