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Em apenas quatro meses, 27 crianças (sendo a maioria delas meninas) precisaram usar explosivos em ataques na Nigéria, no Chade, no Níger e em Camarões; número já é quatro vezes maior que o verificado em 2016

Maior parte das vítimas dos sequestros do Boko Haram é constituída por meninas, segundo a Unicef
UNICEF/Ashley Gilbertson VII
Maior parte das vítimas dos sequestros do Boko Haram é constituída por meninas, segundo a Unicef

Somente nos quatro primeiros meses deste ano, 27 crianças foram usadas em ataques suicidas  conduzidos por terroristas do grupo radical islâmico Boko Haram, segundo alerta a Unicef, o Fundo das Nações Unidas para a Infância. O número é quatro vezes maior do que o verificado ao longo de todo o ano de 2016, quando nove crianças tiveram o mesmo fim.

Os ataques do Boko Haram  usando crianças foram conduzidos na Nigéria, no Chade, no Níger e em Camarões, conforme o relatório "Vergonha silenciosa: Dando voz às crianças sequestradas durante a crise na região do Lago Chade", divulgado pela ONU.

Em nota publicada nesta terça-feira (22) em Genebra, na Suíça, a Unicef classifica essa prática como uma "atrocidade" e ressalta que as crianças usadas nesses ataques "são, acima de tudo, vítimas, e não responsáveis pelo crime". A diretora para assuntos regionais da Unicef no centro e leste da África, Marie-Pierre Poirier, considerou ainda que "este é possivelmente o pior uso possível das crianças durante conflitos".

Desde que a ONU começou a acompanhar essa situação na África central , ao menos 117 crianças (sendo 80% delas meninas) foram obrigadas a atuar em atentados terroristas na região. 

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Sequestro de estudantes em Chibok

A prática de sequestrar crianças e adolescentes é um velho expediente adotado pelo Boko Haram, que já foi considerado o grupo terrorista mais violento e letal do mundo. De acordo com o relatório da Unicef, as vítimas que conseguem retornar aos seus lares muitas vezes desenvolvem traumas e distúrbios de comportamento, como o sentimento de intensa e permanente desconfiança de tudo.

"Muitas crianças obrigadas a se associar a grupos armados acabam mantendo suas experiências em segredo pelo meno de serem estigmatizadas ou até mesmo sofrerem represálias violentas de suas comunidades", aponta o relatório da ONU. "Elas trancam os horrores que viram num sentimento de 'vergonha silenciosa' e buscam se isolar."

Em 2014, no caso mais emblemático de sequestros praticados pelos integrantes do grupo radical nigeriano, quase 300 estudantes foram raptadas de uma escola de Chibok , no norte da Nigéria.

Dezenas de vítimas conseguiram escapar do cárcere e outras foram libertadas após negociação dos terroristas com autoridades locais e internacionais. Ainda assim, a maioria das 276 jovens ainda permanece sob as ordens do Boko Haram.

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