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Magnata republicano teve queda de 42 pontos percentuais no seu índice de confiabilidade desde que assumiu mandato na Casa Branca, em janeiro

Segundo a pesquisa, maior parte dos entrevistados considera Donald Trump como arrogante e intolerante
Christopher Gordon/U.S Navy - 27.5.2017
Segundo a pesquisa, maior parte dos entrevistados considera Donald Trump como arrogante e intolerante

Pesquisa divulgada nesta semana pelo instituto Pew Research Center revela que somente 22% das pessoas em todo o mundo confiam nas políticas internacionais adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O levantamento foi feito em 37 países dos cinco continentes – entre eles o Brasil.

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A desconfiança da população mundial em relação ao presidente norte-americano vem aumentando desde o início de seu mandato, em janeiro. De acordo com a pesquisa , no fim da gestão de Barack Obama, 64% dos entrevistados diziam confiar em Trump. De lá para cá, portanto, esse índice registrou uma significativa queda de 42 pontos percentuais.

Dos 37 países que integram o mapeamento feito pelo instituto, Obama é mais bem avaliado do que Trump em 35 deles. O republicano é considerado como mais confiável do que o ex-presidente em somente duas nações: Israel e Rússia. No Brasil, o presidente estadunidense é tido como confiável por 14% dos indivíduos que participaram da análise.

Nos países que registraram quedas mais acentuadas no índice de confiança em relação ao magnata republicano, a imagem dos Estados Unidos também foi mais arranhada. De acordo com o documento, 64% dos entrevistados tinham uma visão positiva sobre os norte-americanos durante os últimos anos do governo Obama, percentual que agora caiu para 49% - queda de 15 pontos percentuais, portanto.

O desempenho obtido por Trump no levantamento é semelhante ao registrado durante o fim do mandato do ex-presidente republicano George W. Bush, de 2001 a 2009. No Reino Unido, França, Alemanha e Espanha, os baixos níveis de confiança no Trump são muito semelhantes às classificações ruins para Bush em 2008 – quando o percentual de pessoas que confiavam no então presidente chegou a 28%.

Políticas radicais

Os principais motivos para a rejeição e a desconfiança em relação a Donald Trump estão ligados aos seus posicionamentos extremistas, especialmente no que diz respeito às relações exteriores. Um dos exemplos é o projeto anunciado pelo magnata ainda durante a campanha eleitoral para a construção de um muro na fronteira dos Estados Unidos com o México.

Um total de 76% das pessoas entrevistadas nos 37 países participantes se opõem à construção da barreira entre os dois países. Entre a população mexicana, a rejeição é ainda maior: 94% dos participantes demonstraram resistência à ideia.

O levantamento mostra que níveis semelhantes de oposição são registrados em relação a outros itens da agenda Trump, como a retirada de acordos de comércio internacional e acordos de mudanças climáticas. Os entrevistados também manifestaram descontentamento sobre os esforços do governo norte-americano para aumentar a restrição à entrada de imigrantes nos Estados Unidos, especialmente dos que vieram de países de maioria muçulmana.

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Como candidato, Trump repetidamente prometeu retirar os Estados Unidos do acordo de armas nucleares com o Irã, embora ele ainda não o tenha feito como presidente. No equilíbrio, os públicos globais se opõem a essa ideia. Somente em Israel e na Jordânia, as maiorias apoiam a retirada dos EUA do acordo.

Em relação à personalidade do magnata, a maior parte dos entrevistados o considera como arrogante, intolerante e até perigoso. Poucos participantes classificam o novo ocupante da Casa Branca como uma pessoa carismática, bem qualificada ou que tem preocupação com os cidadãos comuns.

Na maioria das regiões do mundo, a participação do público que acredita que as coisas vão piorar supera a participação que acha que as relações dos Estados Unidos com o mundo irão melhorar por uma proporção de dois para um. Embora relativamente poucos digam que esperam melhorias, mais da metade mantém essa visão na Rússia e em Israel.

Povo norte-americano

Apesar do aumento da rejeição ao governo dos Estados Unidos, a população do país ainda é vista de maneira positiva pela maior parte dos indivíduos que responderam aos questionamentos. O Pew Research Center mostra que 58% da população dos 37 países mantêm uma opinião favorável sobre o povo norte-americano.

As visualizações positivas são especialmente comuns na Ásia e na Europa, sendo menos comuns, no entanto, no Oriente Médio. Turquia, Jordânia e Líbano são as únicas nações entrevistadas onde as maiorias expressam uma opinião desfavorável dos norte-americanos.

O material classifica que, entre os pontos da cultura estadunidense mais elogiados pelo mundo, está a cultura. Aproximadamente dois terços dos participantes aprovam a produção norte-americana, como música, filmes e televisão. Os europeus e os asiáticos são particularmente propensos a encontrar a cultura pop dos Estados Unidos atraente, enquanto esses tipos de exportações culturais são menos populares em vários países com maioria muçulmana.

Apesar das dúvidas geradas há vários anos por revelações de espionagem americana sobre líderes estrangeiros e cidadãos, em todos os países entrevistados, uma mediana de 54% acredita que o governo dos Estados Unidos respeita a liberdade pessoal de seu povo. Na Europa, a reputação da América para a liberdade individual foi prejudicada pelas revelações de espionagem da Agência Nacional de Segurança dos EUA e não se recuperou - hoje, uma mediana de 52% entre os 10 países europeus entrevistados, diz que Washington respeita as liberdades pessoais, enquanto quase tanto (uma mediana de 44%) dizem que não. Os Estados Unidos obtêm notas mais altas nesta questão na Ásia e na África.

Outros líderes

Não é só Trump que sofre com a falta de confiança por parte da população mundial. Outros líderes globais também estão com baixa credibilidade perante os entrevistados, porém, ainda registram números melhores aos do presidente norte-americano.

Pesquisa do Pew Research Center mostra que somente 27% dos entrevistados confiam em Vladimir Putin, da Rússia
Presidência da Russia - 26.5.17
Pesquisa do Pew Research Center mostra que somente 27% dos entrevistados confiam em Vladimir Putin, da Rússia

Segundo o Pew Research Center, 28% dos entrevistados demonstraram confiar no presidente da China, Xi Jinping, enquanto outros 27% manifestaram confiança em Vladimir Putin, presidente da Rússia.

Já a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, tem a confiança de 31% da população, na mediana dos 37 países que integram o documento. Entretanto, se consideradas apenas as respostas obtidas na Europa, o índice sobe para 60%.

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A pesquisa do Pew Research Center foi realizada entre os dias 16 de fevereiro e 8 de maio deste ano. Foram ouvidas pouco mais de 40,4 mil pessoas em 37 países do planeta.

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