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Segundo o jornal, o presidente americano teria pedido ao ex-diretor da agência James Comey, demitido na última semana, para que as investigações contra o ex-conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Michael T.Flynn, fossem 'deixadas de lado'; Casa Branca nega

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Reprodução/Instagram
Segundo o "New York Times", Trump teria tentando encerrar investigações do FBI

O presidente norte-americano Donald Trump solicitou pediu ao FBI que fosse encerrada a investigação contra o ex-conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Michael T.Flynn e sobre sua relação com o governo russo no período das eleições presidenciais nos Estados Unidos, diz o jornal "New York Times".

Segundo a publicação, o pedido de Trump foi feito pessoalmente ao ex-diretor do FBI James Comey, demitido na semana passada por meio de uma carta, onde o presidente diz que não acredita que Comey tenha competência para permanecer no cargo.

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O FBI investiga há tempos uma possível interferência do Kremlin nas eleições norte-americanas. Michael T.Flynn, que participou da campanha de Trump durante o período eleitoral e posteriormente foi colocado pelo magnata no cargo de conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, era um dos investigados, por conta de conversas com autoridades russas, em especial o embaixador russo nos Estados Unidos, Sergei Kisliak.

Em fevereiro deste ano, Flynn renunciou ao cargo no governo norte-americano. A renúncia de Flynn ocorreu depois de notícias de que ele teria enganado o vice-presidente norte-americano, Mike Pence, e outros funcionários do governo e mentido sobre o teor de suas conversas com o embaixador da Rússia antes mesmo de Trump tomar posse.

Flynn disse a Pence que não discutiu com autoridades russas as sanções dos Estados Unidos contra a Rússia, aprovadas pelo então presidente Obama nos dias que antecederam a posse de Trump . Essa garantia dada pelo ex-conselheiro de Segurança Nacional levou Pence a defender Flynn em várias entrevistas à televisão.

No entanto, a imprensa norte-americana noticiou que o Departamento de Justiça advertiu a Casa Branca que Flynn não tinha sido totalmente franco sobre suas conversas com o embaixador russo. Para o Departamento de Justiça, Flynn ficou vulnerável a possíveis chantagens de autoridades russas por não ter contato toda a verdade para Pence. Apesar da demissão de Flynn, as investigações continuaram.

Demitido na semana passado, o ex-diretor do FBI James Comey teria feito um memorando das conversas com Trump
AP
Demitido na semana passado, o ex-diretor do FBI James Comey teria feito um memorando das conversas com Trump

Nesta terça-feira, o "New York Times" divulgou que Donald Trump teria pedido pessoalmente ao então diretor do FBI, James Comey, que as investigações contra Flynn fossem encerradas. "Ele é um bom homem. Eu espero que a gente possa deixar isso de lado. Espero que possamos deixar o Flynn de lado", teria dito Trump. Ainda segundo a publicação, Comey teria escrito um memorando detalhando toda a conversa com Trump , que teria ocorrido um dia após a renúncia de Flynn. Esse memorando seria parte de um dôssie montado por Comey para provar as tentativas do presidente de influenciar uma investigação. O ex-diretor teria compartilhado essas informações com outros agentes da inteligência americana.

A Casa Branca negou veementemente que Donald Trump tenha feito qualquer pedido para Comey. "O que o presidente sempre fez questão de dizer, inclusive em coletivas de imprensa, é que considera Flynn um homem honrado e que serviu muito bem o seu país. No entanto, o presidente jamais pediu à ninguém, inclusive James Comey, para que as investigações fossem encerradas. O presidente tem um enorme respeito pela lei e respeita todas as investigações. Essas afirmações simplesmente não são verdade", diz o comunicado oficial.

Demissão de Comey e impeachment

Enquanto o governo Trump se defende das acusações, a oposição já começa a pedir o impeachment do republicano. O congressista democrata Al Green disse que a demissão de James Comey do FBI é uma clara obstrução de justiça. Outras lideranças democratas também já pedem pelo impedimento de Trump, bem como pelo avanço das investigações sobre a influência russa nas eleições.

Outrora inimigo dos democratas por conta do "emailgate", escândalo que é apontado por muitos como principal motivo da derrota de Hillary Clinton no pleito, James Comey não se pronunciou sobre a reportagem.

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