Michael Flynn, principal autoridade na área de segurança norte-americana, assumiu que deu "informações incompletas" a atual vice-presidente dos EUA

Flynn não tinha sido totalmente franco com o governo Trump sobre suas conversas com o embaixador russo
Reprodução/Twitter
Flynn não tinha sido totalmente franco com o governo Trump sobre suas conversas com o embaixador russo

Com menos de um mês à frente do governo dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump já enfrenta a primeira crise de gabinete. Isso porque Michael Flynn, a principal autoridade na área de segurança norte-americana, renunciou, na noite desta segunda-feira (13), após escândalo sobre uma conversa que teve com um embaixador russo nos Estados Unidos, Sergei Kisliak.

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Em seu lugar, Trump nomeou o general Joseph Keith Kellogg Jr. interinamente, enquanto inicia os contatos para encontrar um nome definitivo para o posto.

A renúncia de Flynn ocorreu depois de notícias de que ele teria enganado o vice-presidente norte-americano, Mike Pence, e outros funcionários do governo e mentido sobre o teor de suas conversas com o embaixador da Rússia antes mesmo de Trump tomar posse.

Em sua carta de demissão, cujo texto foi enviado pela Casa Branca, por e-mail, aos repórteres, Flynn disse que fez vários telefonemas para o embaixador russo durante o período de transição do ex-presidente Barack Obama para Donald Trump. Na carta, ele admitiu que deu "informações incompletas" a Pence sobre essas conversas.

Flynn disse a Pence que não discutiu com autoridades russas as sanções dos Estados Unidos contra a Rússia, aprovadas pelo então presidente Obama nos dias que antecederam a posse de Trump. Essa garantia dada pelo ex-conselheiro de Segurança Nacional levou Pence a defender Flynn em várias entrevistas à televisão.

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No entanto, nessa segunda, a imprensa norte-americana noticiou que o Departamento de Justiça advertiu a Casa Branca que Flynn não tinha sido totalmente franco sobre suas conversas com o embaixador russo. Para o Departamento de Justiça, Flynn ficou vulnerável a possíveis chantagens de autoridades russas por não ter contato toda a verdade para Pence.

Na carta, Flynn afirmou que fez inúmeros telefonemas a funcionários estrangeiros durante a transição. "Infelizmente, por causa do rápido ritmo dos eventos, eu inadvertidamente informei o vice-presidente eleito e outros com informações incompletas sobre meus telefonemas com o embaixador russo", acrescentou no documento. "Sinceramente, pedi desculpas ao presidente [Trump] e ao vice-presidente [Mike Pence], que aceitaram minhas desculpas".

Flynn era um admirador da candidatura de Trump e, em sua carta de renúncia, procurou elogiar o presidente. "Em apenas três semanas", disse Flynn, o novo presidente "reorientou a política externa norte-americana de maneira fundamental para restaurar a posição de liderança americana no mundo".

Investigações

O FBI - a polícia federal norte-americana, vinha examinando os telefonemas de Flynn, antes mesmo de ele passar por questionamentos crescentes sobre o conteúdo de suas conversas com autoridades russas.

O alerta sobre o risco de chantagem, feito pelo Departamento de Justiça, estaria ligado às tentativas de Flynn de esconder pistas sobre as conversas telefônicas.

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Porém, para o Departamento de Justiça de Trump, os russos têm os registros do que foi falado nos telefonemas e, dessa forma, poderiam chantagear Flynn e expor o verdadeiro conteúdo das conversas caso o ex-conselheiro de Segurança Nacional quisesse fazer algo que pudesse prejudicar a Rússia.

* Com informações da Agência Brasil.

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