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Diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), Yukiya Amano, afirmou que está "profundamente preocupado" com o país asiático

Agência da ONU não tem condições de confirmar como as instalações nucleares da Coreia do Norte estão funcionando
Reprodução/CNN - 15.04.2017
Agência da ONU não tem condições de confirmar como as instalações nucleares da Coreia do Norte estão funcionando

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), Yukiya Amano, afirmou na terça-feira (2), em Viena, durante reunião preparatória para a Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), que está "profundamente preocupado" com o programa nuclear da Coreia do Norte. O país asiático declarou sua saída do TNP em 2003 e os inspetores da agência tiveram de deixar o território norte-coreano em 2009. As informações são da "ONU News".

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Segundo Amano, "todas as evidências indicam que a Coreia do Norte está progredindo em seu programa atômico". Ele disse que a Aiea continua trabalhando muito para coletar e avaliar informações relacionadas ao programa nuclear do país, incluindo monitoramento de imagens de satélite e dados relacionados ao comércio.

O chefe da Aiea deixou claro que, sem acesso direto a locais importantes, a agência da ONU não tem condições de confirmar como as instalações nucleares norte-coreanas estão funcionando. Ele pediu ao governo de Pyongyang que cumpra com as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, coopere com a Aiea na implementação do acordo de salvaguardas do TNP e resolva as questões pendentes.

Amano declarou que os inspetores da Aiea estão prontos para retornar ao país se forem autorizados. O TNP é um tratado internacional que entrou em vigor em 1970. Entre seus objetivos estão evitar a proliferação de armas nucleares , promover a cooperação no uso pacífico de energia nuclear e alcançar o desarmamento nuclear.

Irã monitorado

Em 2015, a Aiea ajudou a comunidade internacional a alcançar o acordo entre o Irã e o grupo de países conhecido como P5+1, que inclui China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia, membros permanentes do Conselho de Segurança, além da Alemanha e União Europeia.

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O acordo ficou conhecido como Plano de Ação Conjunto Integrado. Desde a sua implementação, em janeiro de 2016, a Aiea tem monitorado os compromissos nucleares iranianos. Yukika Amano afirmou que, atualmente, o Irã está sujeito “ao regime de verificação nuclear mais robusto do mundo”. Os inspetores ampliaram o acesso às usinas atômicas e têm hoje mais informações sobre o programa nuclear iraniano.

Segundo o chefe da Aiea, o programa iraniano atualmente é menor do que antes da implementação do Plano de Ação Conjunto.

Síria e salvaguardas

Em relação à implementação das salvaguardas na Síria, Amano disse que não houve grandes avanços desde a última conferência de revisão. Para ele, é muito provável que um prédio destruído em Dair Alzour, em 2007, abrigava um reator nuclear que deveria ter sido declarado à Aiea pelas autoridades sírias. Ele reforçou o apelo para que o governo de Bashar al-Assad coopere totalmente com a agência em relação às questões não resolvidas.

O diretor-geral da Aiea disse ainda no encontro que segurança nuclear é uma responsabilidade nacional de cada país, mas lembrou que o órgão serve como um fórum internacional de cooperação na área. Ele ressaltou que as salvaguardas da agência são um "componente fundamental do regime de não-proliferação" e têm um papel indispensável na implementação do TNP.

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Amano afirmou que a Aiea envia regularmente inspetores para verificar se os países estão cumprindo com seus acordos na área, usando tecnologia avançada que os permite detectar o desvio de material nuclear para o uso em armas ou explosivos, como é o caso da Coreia do Norte. Ele fez um apelo aos Estados signatários do TNP que não têm armas nucleares que concluam acordos abrangentes de proteção com a agência. Ele também pede que os países que ainda não o fizeram, que concluam e implementem protocolos adicionais o mais rápido possível.

*Com informações da Agência Brasil

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