Jeff Sessions integra grupo responsável por apurar conversas de Michael Flynn com embaixador da Rússia
Gage Skidmore/Flickr Commons
Jeff Sessions integra grupo responsável por apurar conversas de Michael Flynn com embaixador da Rússia

O procurador-geral dos Estados Unidos, Jeff Sessions, também pode ter mantido conversas com o embaixador russo em Washington, Sergei Kislyak, o mesmo diplomata que fora pivô do escândalo com o ex-conselheiro de Segurança Nacional Michael Flynn .

De acordo com revelações feitas pelo jornal The Washington Post , Sessions falou com o embaixador da Rússia nos EUA duas vezes durante o ano passado, antes das eleições presidenciais e quando ainda era conselheiro de política externa da equipe de campanha de Donald Trump.

O primeiro contato ocorreu em julho e o segundo, em setembro, em seu escritório no Senado, onde era um membro influente do Comitê Militar do Exército. Se confirmadas as informações publicadas pelo jornal, o caso pode comprometer Sessions, que negou em sua audição no Senado ter conhecimento de qualquer contato entre a equipe de Trump e autoridades russas.

Em sua audiência de confirmação, realizada em 10 de janeiro, o senador democrata Al Franken perguntou a Sessions: "Se há alguma evidência de que alguém afiliado à campanha de Trump se comunicou com o governo russo, durante esta campanha, o que você vai fazer?". Sessions respondeu: "Eu não tenho conhecimento de nenhuma dessas atividades. Eu não tive contato com os russos. Não posso comentar sobre isso".

Sessions também poderá ser retirado do cargo ou sofrer pressões para se afastar da equipe do FBI que investiga a possível interferência da Rússia nas eleições presidenciais vencidas por Trump.

A porta-voz da Procuradoria-Geral, Sarah Isgur Flores, defendeu Sessions dizendo que ele se reuniu com 25 embaixadores no total, além de Kislyak, em sua função de membro do Comitê de Serviços Armados do Exército, e não como integrante da equipe de Trump.

Diante disso, o jornal foi atrás dos outros membros da comissão do Senado para verificar se também tinham se reunido com o embaixador russo, mas 19 negaram que tiveram algum contato com o diplomata.

Sessions foi nomeado secretário de Justiça, posto que lhe garante o cargo também de procurador-geral, após Trump demitir Sally Yates. Michael Flynn, por sua vez, foi obrigado a renunciar a seu cargo de conselheiro de Segurança Nacional em meados de fevereiro, após ser comprovado que tivera conversas com o embaixador russo, nas quais chegou a discutir até as sanções impostas a Moscou.

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"Guerra de informações"

Na terça-feira (27), o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, veio a público garantir que as insinuações a respeito de conversas entre o ex-conselheiro da Segurança Nacional dos EUA e o embaixador Sergei Kislyak tratam-se de "parte de uma guerra de informações nos Estados Unidos" .

"Posso garantir com toda a responsabilidade que Michael Flynn e Sergei Kislyak não tocaram no assunto das sanções durante a conversa por telefone", disse o vice-chanceler dirigindo-se aos parlamentares russos. 

Michael Flynn deixou a equipe de Donald Trump no dia 14 deste mês em meio a crescentes controvérsias envolvendo seus telefonemas a Kislyak antes mesmo de o bilionário tomar posse na Casa Branca. 

Em sua carta de demissão, Flynn disse que fez vários telefonemas para o embaixador russo durante o período de transição do ex-presidente Barack Obama para Donald Trump. Na carta, ele admitiu que deu "informações incompletas" ao vice-presidente Mike Pence sobre essas conversas.

Flynn disse a Pence que não discutiu com autoridades russas as sanções dos Estados Unidos contra Moscou, aprovadas pelo então presidente Obama nos dias que antecederam a posse de Trump. Essa garantia dada pelo ex-conselheiro de Segurança Nacional levou Pence a defender Flynn em várias entrevistas à televisão.

Ao pedir demissão, Flynn não deixou claro se tratou ou não sobre o tema com Kislyak. Agora, pela primeira vez, uma autoridade russa garante que isso não ocorreu. 

Para o Departamento de Justiça dos EUA, Flynn ficou vulnerável a possíveis chantagens de autoridades russas por não ter contado toda a verdade a Pence.

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