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Conforme se prepara para deixar a Casa Branca, o presidente Barack Obama diz ter usado a literatura para lidar com momentos difíceis em seu mandato

No comando dos Estados Unidos,  Barack Obama encontrou na leitura solidariedade e consolo em períodos de isolamentos
Divulgação/Casa Branca
No comando dos Estados Unidos, Barack Obama encontrou na leitura solidariedade e consolo em períodos de isolamentos

O mandato do presidente Barack Obama está chegando ao fim. Depois de oito anos no comando dos Estados Unidos, Obama deixará o Salão Oval na próxima sexta-feira (20). Mas como o ex-senador – e quase ex-presidente – foi capaz de manter sua mente em perspectiva enquanto liderava uma das maiores potências do mundo? A resposta é simples: livros.

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Em entrevista ao jornal norte-americano “The New York Times”, Obama falou sobre o papel fundamental desempenhado pelos livros ao longo da presidência e também de sua vida. A paixão começou ainda durante a infância. Como viajava muito, Obama usava os livros para se sentir menos deslocado e solitário. “A ideia de ter esses mundos que eram portáveis, que eram seus, nos quais você podia entrar, era atraente para mim”, disse.

Conforme entrou na adolescência, limitou suas leituras ao mínimo exigido pela escola e deixou os livros de lado. Ele afirma que foi reencontrar o prazer na leitura apenas no primeiro ou segundo ano de faculdade. Na mesma época retomou o hábito da escrita e o usou como uma maneira de se reconstruir como um jovem adulto. É esse o sentimento que capta em seu livro “A Origem de Meus Sonhos”.

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Como presidente dos Estados Unidos, se apoiou nos livros para enfrentar períodos difíceis, como a crise econômica e o tiroteio na escola primária Sandy Hook. “Eu acho que durante esses períodos, os escritos de Lincoln, [Martin Luther] King, Gandhi, Mandela, particularmente, me ajudaram. Porque o que você procura é um senso de solidariedade”, contou.

Ele também buscou ajuda na História, lendo obras daqueles que já estiveram em posições semelhantes, como o primeiro-ministro Winston Churchill. “Em momentos muito difíceis esse trabalho pode ser muito isolador. Então, às vezes, você precisa saltar pela História para encontrar pessoas que passaram por um sentimento semelhante de isolamento. Churchill é um bom autor. E eu amo ler os escritos de Teddy Roosevelt.”

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Mas não só de clássicos vive o presidente. Obama revelou achar que “Garota Exemplar”, por exemplo, mistura uma boa escrita com o gênero de suspense. “Foi um livro muito bem escrito e muito bem construído”, elogiou. Em sua lista de leituras recomendadas para o verão, publicada no meio do ano passado, está “A Garota no Trem”, que se tornou um sucesso ainda maior depois de ser transformado em filme.

Agora que vai passar adiante o comando do país, Obama pretende voltar a escrever (ele já possui algumas obras de sua autoria lançadas), já que como presidente escreveu principalmente discursos. Para publicar suas memórias dos anos na Casa Branca, deve usar seus diários dos últimos oito anos. “Eu escrevi alguns, mas não com a disciplina que eu esperava”, confessou. Com o fim de seu mandato, resta esperar o lançamento de seu próximo livro para matar saudade do presidente.