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Para chefe da diplomacia francesa, solução de conflito entre os dois países "está em perigo" com posse de presidente eleito dos Estados Unidos

A única solução para acabar com o conflito entre Israel e Palestina é a definição de dois Estados. Esta é a posição de mais de 70 países participantes da Conferência pela Paz no Oriente Médio. O evento ocorre neste domingo (15), em Paris, e faz parte de uma iniciativa francesa lançada há um ano para mobilizar a comunidade internacional em torno de um dos conflitos mais antigos do mundo e encorajar a retomada do diálogo entre israelenses e palestinos.

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Israel, no entanto, não participará da conferência por considerá-la uma "farsa". Em artigo publicado na sexta-feira (13) nos jornais francês "Le Monde" e israelense "Haaretz", o chefe da diplomacia francesa, Jean-Marc Ayrault, afirmou que a solução de dois Estados no Oriente Médio , referência para a maior parte da comunidade internacional, "está em perigo".

Primeiro-ministro israelense, Netanyahu, diz que conferência sobre o Oriente Médio como
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Primeiro-ministro israelense, Netanyahu, diz que conferência sobre o Oriente Médio como "sacudida final do passado"

"A colonização israelenses nos territórios palestinos, os atentados palestinos em Israel, frustrações, radicalização do discurso, negociações completamente paralisadas há dois anos... A cada dia que passa, nos distanciamos ainda mais das perspectivas de uma resolução do conflito", escreveu Ayrault.

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O evento, que reúne cerca de 75 países e organizações internacionais, não levará a um anúncio concreto, mas a um comunicado que reafirmará os textos de referência sobre o conflito entre os dois países e os princípios aceitos pela comunidade internacional em quase 70 anos.

Antes da posse

A conferência ganha simbolismo por ser organizada cinco dias antes a posse do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump. Diplomatas que trabalham no acordo entre Israel e Palestina estão preocupados com a imprevisibilidade do republicano. Durante a campanha eleitoral, Trump prometeu reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e levar a embaixada norte-americana, que hoje se encontra em Tel Aviv, para a cidade.

Para o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a Conferência de Paris era "uma sacudida final do passado, antes do advento do futuro", revelando a opinião da direita de Israel sobre o futuro presidente norte-americano. Se a decisão de Trump foi concretizada, os EUA acabarão com a política histórica de considerar que o status de Jerusalém, também reinvindicado pelos palestinos como capital de seu futuro Estado, deva ser resolvido por meio de negociações.

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Para o membro da liderança palestina, Mohammed Shtayyeh, "todos os sinais são negativos nos posicionamentos do futuro presidente dos Estados Unidos sobre o conflito". A conferência de Paris é considerada o último ato de uma série de compromissos em favor de um processo de paz no Oriente Médio baseado na solução de dois Estados, antes do futuro governo dos EUA se posicionar oficialmente sobre o assunto.

* Com informações da Agência Brasil.