
A pesquisadora Aline Kümmel Pizzini Goulart, do Programa de Pós-graduação em Ciência e Tecnolofia de Alimentos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, desenvolveu uma alternativa sustentável às embalagens plásticas tradicionais utilizadas em supermercados, que além de proteger os alimentos, reduz o desperdício.
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O produto é resultado da pesquisa de mestrado de Aline e consiste em uma combinação entre fécula de mandioca e o carvacrol, um composto natural presente no óleo essencial de orégano, que resultou em filtros biodegradáveis, capazes de preservar carne moída e prevenir a proliferação de microrganismos.
De acordo com a UFRGS, a fécula de mandioca é uma matéria-prima de baixo custo, renovável e abundante do Brasil, além de possuir uma estrutura que permite boa maleabilidade e elasticidade. Essas características são essenciais para o sucesso do produto.
O uso do carvacrol nanoencapsulado em mucilagem de chia foi o grande diferencial do projeto. A técnica promove uma espécie de proteção microscópica que retarda a degradação do composto ativo, prolongando seus efeitos antimicrobianos e antioxidantes. Dessa forma, os filmes conseguem liberar o composto de forma controlada e contínua, preservando o alimento por mais tempo.
Foram realizadas inúmeras tentativas no Laboratório de Microbiologia da UFRGS, até se chegar à formulação ideal que resultou em um filme resistente, elástico e biodegradável.
O resultado da pesquisa surpreendeu a equipe positivamente, levando em consideração que os filmes apresentaram desempenho superior em relação a outras versões.
O produto apresenta maior estabilidade térmica, melhor barreira contra luz e umidade, além de forte ação antimicrobiana contra Salmonella enterica e Listeria monocytogenes, dois dos principais agentes causadores de surtos alimentares. Os filmes também apresentaram biodegradabilidade de 85% em apenas 20 dias, o que reduz significativamente o impacto ambiental.