Lixo na praia de Barra de Cunhau, em Canguaretama
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Lixo na praia de Barra de Cunhau, em Canguaretama

O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) do Rio Grande do Norte pediu à Polícia Federal (PF), neste sábado (24), que abra um inquérito para apurar a chegada de mais de 3,5 toneladas de  lixo nas praias de seu litoral pelo mar. Neste domingo, moradores relataram mais resíduos na costa.

Entre os detritos, estão garrafas com rótulos em idiomas asiáticos, materiais escolares de Pernambuco e até lixo hospitalar, como seringas, ampolas e até utensílios sujos de sangue. Só ontem, três tartarugas apareceram mortas nas praias atingidas.

O estado da Paraíba também registrou a presença de lixo nos últimos dias. Foram mais de 40 toneladas nas cidades de João Pessoa, Cabedelo e Conde. Nesta última, há registros de detritos chegando ao litoral desde 13 de abril. Um mutirão chegou a ser formado para a limpeza da orla.

Segundo a Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) da Paraíba, há um trabalho conjunto para investigar as causas, com as secretarias municipais de Meio Ambiente, Capitania dos Portos, Seirhma (Secretaria estadual de Meio Ambiente) e o Ibama.

No Rio Grande do Norte, o aparecimento do lixo começou na quarta-feira nas cidades de Baía Formosa, Canguaretama, Nísia Floresta, Maxaranguape e Tibau do Sul, onde fica a famosa praia da Pipa. No sábado, a área atingida já se expandiu até a praia de Pirabuzios, entre as cidades de Nísia Floresta e Parnamirim, onde fica o maior cajueiro do mundo.

A origem do lixo, no entanto, ainda é desconhecida. Por isso, o Idema solicitou investigações à Polícia Federal. O jornal O Globo procurou a superintendência da PF no estado, mas não obteve respostas até o momento.

"Formalizei o pedido no sábado, e aguardamos até a segunda o início das investigações", afirma Leon Aguiar, diretor do Idema.

O instituto já publicou uma nota técnica orientando que uma parte desses resíduos seja armazenada temporariamente para auxiliar nas investigações.

Também sugeriu a interdição dos trechos das praias que ainda possuam lixo e que, se possível, sejam colocadas bandeiras vermelhas indicando que o local está impróprio para banho, até a total limpeza da região, "aguardando alguns dias, de modo que se tenha certeza que não estão chegando novas quantidades de resíduos nas praias".

"É perigoso frequentar essas áreas. No mar ou na areia, alguém pode se machucar com esse lixo, pode pisar numa seringa, por exemplo. Então, o ideal é que toda a área seja interditada", afirma Aguiar.

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No sábado, a moradora de Maxaranguape Catarina Gonçalves, de 18 anos, saiu para andar com a mãe e encontrou o lixo chegando do mar.

"Tinha dentadura, pé de pato, par de sapato e até um cateter com sangue", conta a jovem. "Minha mãe voltou neste domingo e encontrou mais."

O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) abriu uma investigação para apurar o lixo encontrado nas praias do litoral sul do RN. A informação foi confirmada pelo superintendente estadual, Rondinelle Oliveira.

O órgão explicou que essa investigação é um acompanhamento secundário e que a investigação principal, neste momento, está a cargo dos órgãos estaduais. Foi recomendada também a limpeza imediata das praias.

À TV Globo o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o Ibama afirmaram que a investigação principal cabe aos órgãos estaduais, mas que, mesmo assim, equipamentos e uma equipe local do instituto estão à disposição do estado, por meio do Programa Nacional de Combate ao Lixo no Mar.

A Marinha declarou que não há registro de acidentes marítimos que justifiquem a presença desses resíduos nessas praias.

Já a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco informou que está em contato com o órgão ambiental do Rio Grande Norte e vai unir forças para identificar a causa do aparecimento de resíduos no litoral daquele estado.

"Já foi solicitado ao Rio Grande do Norte que encaminhe os relatórios com a análise do material encontrado nas praias e também uma amostra dele para que técnicos da Agência de Meio Ambiente de Pernambuco — CPRH possam analisá-lo. Contudo, a Semas ressalta: até o momento, nenhum incidente foi constatado nem junto aos municípios litorâneos nem aos portos do Estado", afirmou o estado.

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