Especialistas observam a formação de uma quarta onda de contágio
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Especialistas observam a formação de uma quarta onda de contágio

Os epidemiologistas e matemáticos que acompanham a evolução da pandemia da Covid-19 em São Paulo têm observado um aumento de internações recentes em decorrência da infecção. É o que pode ser percebido em levantamento recente feito pelo Info Tracker, a pedido do GLOBO. Os números mais recentes de hospitalizações — foram 233 na quarta-feira (18) — nos colocam no mesmo patamar de 21 março, o que indica aumento nos indicadores.

Segundo o professor Wallace Casaca, um dos coordenadores do Info Tracker, o que se vê agora é a formação de uma quarta onda de contágio. Ele acredita, porém, que a movimentação da doença será menos letal, justamente pelas altas taxas de vacinação em todo o estado.

Há também uma explicação genômica para o avanço do coronavírus neste momento. Salmo Raskin, médico geneticista e diretor do laboratório Genetika, em Curitiba, explica que a maior parte das infecções é causada pela variante BA.2, da cepa Ômicron, mais transmissível que a variante "original".

"Estamos aprendendo que a infecção pela BA.1 (a original) pode não proteger totalmente de ter a infecção pela BA.2. Ainda assim, não há dúvidas que as duas Ômicrons são menos graves que a Delta. Até porque a população está, ao menos, parcialmente vacinada. O que não quer dizer que uma parcela de pessoas não pode ter casos mais graves. É a fração pequena de um número grande", afirma Raskin.

O governo do estado também já nota um ligeiro aumento nos indicadores. O mais recente boletim epidemiológico – que compreende dados coletados até terça-feira (17) — mostra que a média móvel de novas internações subiu 10,7%, em comparação à semana anterior. Os óbitos, por sua vez, saltaram de 17 para 47, considerando a média diária da última semana.

Embora a evolução da pandemia cause naturalmente apreensão, especialistas pedem uma leitura "sem pânico" dos dados que indicam o avanço da doença. Além disso, eles defendem a gestão de risco pessoal, que é quando cada pessoa avalia o quanto deseja se expor à doença e, portanto, decide de maneira individual se irá se expor à aglomerações e baixar as máscaras, por exemplo.

"(O aumento de internações) é um movimento esperado. Nesta época do ano, com essa temperatura, o número de casos tende a aumentar. O que também eleva, de maneira proporcional, as médias de internações.Temos um ambiente que favorece o contágio, o que proporcionalmente aumenta as hospitalizações", diz José Medina, médico cirurgião e membro do Centro de Contigência da Covid-19, comitê que baliza as decisões do governo do estado de São Paulo em relação à pandemia. O grupo, porém, ainda não discutiu endurecimento de medidas de contenção diante do novo aumento.

Medina defende que cada se utilize do "bom senso" para evitar o contágio. Ele alerta, porém, que quem tem maior risco de ter a doença em sua versão mais grave — as pessoas com comorbidades, sobretudo — evitem ambientes de ampla informalidade, como as festas, ou aglomerações, com tempo de exposição prolongado.

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