
O primeiro bloco do debate presidencial da Band
, realizado neste domingo (18), foi marcado por confrontos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL)
. Ao longo do encontro, os candidatos apresentaram propostas diferentes para a segurança pública e trocaram acusações envolvendo familiares e investigações que ganharam repercussão durante a campanha eleitoral.
Flávio apontou para Lula dizendo que ele é o candidato do crime organizado, afirmando que ele recebeu voto de 73% dos presidiários do país. Lula retrucou: "Quero que vote 100%, até seu pai [ Jair Bolsonaro ]".
Flávio insistiu em chamar Lula de Ladrão, e Lula a Flávio, de miliciano. Os R$ 134 milhões pagos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro pagos a Flávio também foram trazidos à tona pelo presidente. Flávio, por sua vez, perguntou de volta sobre os R$ 30 milhões mencionados em um áudio de Vorcaro para o Instituto Lula.
Lula disse que "quer distância de miliciano", se referindo à família Bolsonaro. Flávio respondeu com ironia, alegando que teria sua carteira roubado, logo também quer distância de Lula.
A segurança pública foi um dos principais pontos de confronto entre os candidatos. Flávio Bolsonaro defendeu o endurecimento das medidas contra organizações criminosas, incluindo a classificação de facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
O senador reforçou a defesa de uma política mais rígida contra o crime organizado e criticou a atuação do governo federal na área.
Lula, por sua vez, defendeu a ampliação da participação da União nas políticas de segurança pública, por meio da PEC da Segurança, que está em debate no Senado. O presidente apresentou a federalização como uma alternativa para fortalecer a coordenação das ações de combate à criminalidade.
A discussão evidenciou duas estratégias distintas: enquanto Flávio apostou no discurso de endurecimento contra as facções, Lula destacou a necessidade de ampliar a atuação federal no setor.
Flávio questiona Lula sobre Roberta Luchsinger
Outro momento de tensão ocorreu quando Flávio Bolsonaro questionou Lula sobre a empresária Roberta Luchsinger. O nome dela ganhou destaque em meio às apurações relacionadas ao empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", e a Lulinha, filho do presidente.
Durante o confronto, o senador cobrou explicações do presidente e mencionou declarações feitas pela empresária em entrevista à CNN Brasil. Ela acusou Lula de negociar influência dentro dos ministérios.
Lula respondeu que o caso deve ser tratado pelas autoridades responsáveis pela investigação. "A Roberta é uma questão da Polícia Federal, e a Polícia Federal vai cuidar", afirmou o presidente.
Lulinha e Eduardo Bolsonaro entram na troca de acusações
O embate ganhou um tom mais pessoal quando os candidatos passaram a citar os filhos um do outro. Flávio Bolsonaro questionou a situação de Lulinha e cobrou explicações sobre as investigações envolvendo o filho do presidente.
O senador também fez referência à permanência de Lulinha na Espanha e questionou a atuação da Polícia Federal no caso.
Lula reagiu mencionando Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que está nos Estados Unidos. O presidente acusou o ex-deputado de atuar contra os interesses brasileiros e de buscar apoio político no exterior contra o governo.
"O seu irmão está fugido nos Estados Unidos, tramando contra o Brasil", declarou Lula durante o debate, conforme o relato da CNN Brasil.
A resposta intensificou o confronto entre os presidenciáveis. Enquanto Flávio direcionou suas críticas às suspeitas envolvendo Lulinha, Lula voltou seus ataques à atuação política de Eduardo Bolsonaro no exterior.
O debate
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) participam do debate da Band neste domingo, às 20h. O encontro será o primeiro confronto direto entre os candidatos na campanha presidencial.
O debate terá três blocos, com perguntas dos apresentadores e confrontos diretos entre os presidenciáveis. No primeiro, os candidatos terão 30 minutos para debater livremente. Nos seguintes, farão perguntas um ao outro, encerrando o encontro com as considerações finais.
A transmissão será feita pela Band, pelo Estadão, pela Jovem Pan, pela TV Gazeta e pela TV Cultura. O último debate previsto para a campanha será realizado pela Globo, em 23 de outubro.
O segundo turno das eleições de 2026 está marcado para 25 de outubro, nas disputas para presidente da República e governadores, caso necessário.