Candidato a Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) e o Presidente e candidato a reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante debate presidencial promovido pela TV Bandeirantes, na sede da emissora, região sul de São Paulo, neste domingo (18)
Marina Uezima/Parceiro/Agência O Dia
Candidato a Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) e o Presidente e candidato a reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante debate presidencial promovido pela TV Bandeirantes, na sede da emissora, região sul de São Paulo, neste domingo (18)

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram um debate marcado por acusações de corrupção, questionamentos sobre familiares e divergências em saúde, economia e segurança pública neste domingo (18), na Band. No primeiro confronto direto do segundo turno presidencial, os candidatos também apresentaram propostas para reduzir o endividamento das famílias e melhorar o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS). O debate teve presença constante da plateia.

A uma semana da eleição, Lula explorou episódios envolvendo Jair Bolsonaro e cobrou explicações sobre o Banco Master. Flávio concentrou ataques nas investigações sobre descontos ilegais em aposentadorias e questionou a relação de pessoas próximas ao presidente com investigados. As acusações dominaram parte do encontro, deixando propostas de governo em segundo plano.

INSS e familiares entram no centro do confronto

Flávio questionou Lula sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e sua ligação com Roberta Luchsinger, citada nas investigações sobre o esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS.

O senador também fez acusações sobre a permanência do filho do presidente na Espanha e cobou explicações sobre a atuação da Polícia Federal. As suspeitas mencionadas por Flávio não representam comprovação de participação de Lulinha em crimes.

"A Roberta é uma questão da Polícia Federal, e a Polícia Federal vai cuidar", respondeu Lula.

O presidente afirmou que eventuais irregularidades envolvendo seus familiares devem ser investigadas. Também acusou o governo Jair Bolsonaro de não ter impedido os descontos e defendeu a atuação de sua gestão para identificar responsáveis e ressarcir aposentados.

Flávio contestou essa versão. O candidato atribuiu a expansão das cobranças a alterações legais apoiadas pelo PT e afirmou que impediria novos desvios caso fosse eleito.

A discussão avançou para Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que vive nos Estados Unidos. Lula criticou sua atuação política no exterior. Flávio, por sua vez, acusou o presidente de proteger familiares.

Banco Master provoca nova troca de acusações

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro também entrou no debate. Lula cobrou esclarecimentos sobre R$ 134 milhões associados ao financiamento de uma produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro, enquanto Flávio questionou supostos repasses ligados ao Instituto Lula.

Nenhum dos dois apresentou, durante o confronto, documentação suficiente para comprovar as acusações lançadas contra o adversário.

O diálogo ficou mais tenso quando os candidatos passaram a se atacar pessoalmente.

"Quero distância de miliciano", afirmou Lula.

Flávio respondeu: "Eu estou sem carteira aqui, você não vai poder me roubar agora".

SUS e pandemia dividem candidatos

Na discussão sobre saúde, Flávio prometeu ampliar o uso da telemedicina, integrar prontuários eletrônicos por CPF e utilizar inteligência artificial para direcionar pacientes às unidades de atendimento.

O candidato apresentou o médico Claudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, como seu escolhido para comandar o Ministério da Saúde.

"Eu quero colocar o padrão Einstein no SUS", afirmou.

A proposta envolve o uso de tecnologia para reduzir dificuldades enfrentadas por pacientes na marcação de consultas, exames e atendimentos especializados. Flávio não detalhou, naquele momento, de onde sairiam todos os recursos necessários para ampliar o serviço.

Lula rebateu lembrando a condução da pandemia de Covid-19 durante o governo Jair Bolsonaro. O presidente criticou o atraso na vacinação e a divulgação de tratamentos sem eficácia comprovada.

Flávio reconheceu problemas na área durante a gestão do pai, mas atribuiu parte das dificuldades à situação excepcional provocada pela pandemia.

O petista também defendeu a recuperação dos hospitais federais do Rio de Janeiro e citou investimentos para ampliar consultas e procedimentos especializados.

Flávio promete carência para endividados

Na economia, Flávio apresentou sua proposta de renegociação de dívidas. Segundo o candidato, a Caixa Econômica Federal poderia comprar débitos de consumidores e empresas para refinanciá-los com juros menores.

O plano prevê seis meses de carência para pessoas físicas e um ano para pessoas jurídicas.

"Você não vai pagar boleto nenhum", prometeu Flávio ao explicar o período de suspensão das parcelas.

O senador também defendeu a criação de um Ministério da Prosperidade, com políticas de assistência social, crédito e qualificação profissional. Afirmou que manteria o Bolsa Família e buscaria ampliar oportunidades de geração de renda.

A proposta ainda depende de detalhamento sobre financiamento, critérios de adesão e participação dos bancos.

Lula defendeu a política de valorização do salário mínimo, os reajustes dos benefícios previdenciários e a manutenção dos programas sociais. O presidente também associou a capacidade de investimento do país ao crescimento econômico.

Flávio contestou os resultados apresentados pelo governo e criticou os preços dos alimentos, a dívida pública e os juros cobrados dos brasileiros.

Segurança pública e armas

Os candidatos também divergiram sobre o combate ao crime organizado.

Flávio defendeu medidas mais rígidas contra organizações criminosas e criticou a atuação federal na segurança. Lula sustentou que a União precisa ampliar sua participação no combate às facções e voltou a defender a PEC da Segurança Pública.

O presidente também criticou a flexibilização do acesso a armas durante o governo Jair Bolsonaro. Flávio respondeu com ataques à política criminal do PT e acusações sobre o perfil do eleitorado do adversário.

O debate foi realizado sete dias antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Outro encontro entre os candidatos está previsto para sexta-feira (23), na TV Globo.

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