Tarcísio discursa na convenção do Republicanos em São Paulo
Foto: PH Lopes
Tarcísio discursa na convenção do Republicanos em São Paulo

O governador de São Paulo e candidato a reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reforçou nesta quarta-feira (19) sua proximidade com o bolsonarismo e defendeu a continuidade de seu projeto à frente do Estado durante sabatina realizada pela Jovem Pan News.  Tarcísio afirmou que pretende seguir alinhado ao grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e citou uma possível parceria com Flávio Bolsonaro, que deverá disputar a Presidência da República.

Durante cerca de uma hora, o governador respondeu a perguntas sobre temas como saúde, segurança pública, saneamento básico, educação, mobilidade urbana, emprego, empreendedorismo e eficiência do Estado.

Ao ser questionado sobre a eleição de 2022, quando foi identificado como o candidato de Jair Bolsonaro ao governo paulista, Tarcísio afirmou que faz parte de um grupo político, mas ressaltou que a decisão caberá ao eleitor.

“A gente faz parte de um time. O que está em julgamento agora é o sentimento, o sentimento de continuidade ou de mudança?”, declarou.

Governador destaca resultados do mandato

Ao defender a continuidade de seu governo, Tarcísio afirmou que a administração estadual apresenta boa avaliação e citou resultados que, segundo ele, devem ser considerados pelo eleitor.

Entre os exemplos, mencionou o volume de cirurgias realizadas, a produção habitacional e a redução de indicadores criminais.

Na área da segurança pública, porém, reconheceu que ainda existe uma percepção de insegurança entre a população. Segundo o governador, o governo precisa avançar principalmente em regiões periféricas.

“Sabemos que é um ponto sensível e que temos de fazer muito mais, que o cidadão ainda não se sente seguro, que ele quer mais saúde. A gente sabe que o cidadão da periferia espera mais de nós”, afirmou.

Tarcísio também disse que existe um planejamento para os próximos anos e citou as expectativas dos jovens em relação às profissões do futuro, ao desenvolvimento profissional e à possibilidade de prosperar.

Para o governador, a articulação entre diferentes esferas de governo pode facilitar a execução de políticas públicas. Ele citou como exemplo a relação com a Prefeitura de São Paulo e defendeu que esse tipo de alinhamento seja ampliado.

“A vida fica muito mais fácil se governo federal, estadual e prefeituras estiverem alinhados”, disse. 

Tarcísio admite proximidade com bolsonarismo

A relação com o bolsonarismo foi abordada diretamente durante a sabatina. Tarcísio afirmou ter valores conservadores e liberais e disse que mantém identidade própria, embora reconheça afinidade com parte dos princípios defendidos pelo grupo político de Jair Bolsonaro.

“Sou um candidato de valor, que tem valores cristãos, conservador, liberal, que acredita em um estado mais enxuto, em um serviço público mais eficiente, que acredita no setor privado, no empreendedor, no empreendedorismo”, declarou.

O governador também relembrou sua passagem pelo governo Jair Bolsonaro, quando ocupou o Ministério da Infraestrutura. Segundo ele, a experiência foi importante para sua trajetória política.

“Fui ministro da infraestrutura, tenho uma gratidão muito grande porque ele me abriu essa porta. A gente tá aqui pra resolver o problema da população. Me identifico, sim, com o Bolsonarismo, mas a gente rechaça o que não faz sentido. Temos identidade própria, mas com valores que pra nós são os corretos”, afirmou.

Ao falar sobre a disputa presidencial, Tarcísio também projetou uma relação próxima com Flávio Bolsonaro caso o senador seja eleito. “Com o Flávio eleito presidente, a nossa vida aqui vai ser mais fácil”, afirmou.

O governador ainda mencionou a possibilidade de participar de agendas conjuntas com Flávio. “Vamos estar juntos. Estaremos juntos no final de semana novamente no festival de Barretos e a gente vai fazer muitos eventos em conjunto”, disse.

Saúde, segurança e emprego aparecem entre prioridades

Entre os temas apontados por Tarcísio como prioritários para uma eventual continuidade no governo paulista estão saúde, saneamento básico, segurança pública, eficiência administrativa, mobilidade urbana, empreendedorismo, trabalho e emprego.

Durante a sabatina, o governador também abordou a situação econômica do consumidor e fez críticas ao impacto das apostas esportivas sobre o orçamento das famílias.

“O varejo está morrendo, as pessoas estão endividadas, gastando seu dinheirinho com as Bets que foram regulamentadas pelo Haddad”, afirmou.

Relacionamento com o governo Lula

Tarcísio classificou como “distante” a relação de seu governo com a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, São Paulo não recebe do governo federal o mesmo tratamento destinado a outros Estados por causa das divergências políticas.

“É um relacionamento distante, São Paulo não é ‘abraçado’ pelo governo federal como outros estados são. Somos considerados como adversários políticos. A gente tenta ter uma condução pragmática das coisas”, afirmou.

Como exemplo, o governador citou as discussões em torno do túnel entre Santos e Guarujá. Segundo Tarcísio, ele procurou o presidente Lula para apresentar os argumentos em favor de São Paulo assumir a concessão, a regulação e a licitação do projeto.

“Quando a gente teve de decidir sobre o túnel Santos-Guarujá, eu fui até o presidente da República e levei os argumentos pelos quais a gente acreditava que São Paulo deveria ser o poder concedente, ser o regulador e fazer a licitação do túnel”, disse.

De acordo com o governador, São Paulo teria melhores condições para estruturar o projeto por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP). Ele citou a capacidade financeira de uma empresa estadual para oferecer as garantias necessárias e afirmou que o governo federal enfrentaria mais dificuldades para estruturar esse tipo de operação.

Tarcísio também mencionou as exigências para o aporte de capital e as diferenças entre os processos de análise dos órgãos de controle. Segundo ele, o investimento exigiria autorização legislativa e São Paulo já teria essa estrutura aprovada pela Assembleia Legislativa. Nas desestatizações, acrescentou, o Tribunal de Contas da União (TCU) faz a análise no âmbito federal, enquanto o Tribunal de Contas do Estado (TCE) acompanha os processos paulistas.

“Levei esse projeto de mobilidade urbana para o presidente, ele topou. Estava com ele no palanque, lá no porto de Santos, reuniu toda a turma pra vaiar a gente e tá tudo certo, faz parte do jogo, o que interessa é tocar a obra, é fazer acontecer”, afirmou.

Na avaliação do governador, as divergências políticas não deveriam impedir a liberação de recursos e a execução de projetos para São Paulo. Tarcísio citou dois financiamentos aprovados com bancos estrangeiros que, segundo ele, não avançaram porque não foram encaminhados ao Senado para análise da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

“Então, há um tratamento diferente”, declarou.

Ao concluir a resposta sobre a relação com o governo federal, Tarcísio afirmou que pretende manter o diálogo institucional independentemente das diferenças políticas.

“Eu acredito no diálogo, sempre vou olhar o interesse do cidadão de São Paulo, que é mais importante que qualquer divergência política”, afirmou.

Ensino técnico vira aposta para avançar na educação

Tarcísio destacou a ampliação do ensino técnico como uma das principais frentes da política educacional paulista. Segundo ele, a participação dos estudantes nessa modalidade passou de 12% no início da gestão para 42% atualmente.

O governador também citou avanços nos indicadores educacionais. No ensino fundamental I, o resultado passou de 6,2 para 6,6. No fundamental II, subiu de 5,1 para 5,2. Já no ensino médio, chegou a 4,5, considerado por Tarcísio o melhor resultado da série histórica.

A recuperação da aprendizagem e a alfabetização na idade certa estão entre as prioridades. O programa de tutoria, atualmente aplicado em 10% das escolas, deverá ser ampliado. Tarcísio também citou a formação continuada de professores, o Pacto pela Matemática e o aumento da carga horária de Português e Matemática.

A estratégia inclui ainda a ampliação das escolas de tempo integral e a adaptação de cursos do Centro Paula Souza para áreas ligadas às profissões do futuro, como inteligência artificial, semicondutores e baterias.

Outro programa citado foi o intercâmbio internacional. Segundo Tarcísio, os mil melhores alunos do 9º ano poderão cursar o ensino médio em escolas de língua inglesa no Reino Unido, Canadá, Nova Zelândia e Austrália.

Privatizações são defendidas como forma de ampliar serviços

Ao falar sobre privatizações e concessões, Tarcísio afirmou que as medidas foram adotadas em áreas consideradas essenciais para melhorar a prestação de serviços públicos. Como exemplo, citou o saneamento e a desestatização da Sabesp.

Segundo o governador, estão previstos R$ 70 bilhões em investimentos até 2029 nos 371 municípios atendidos pela companhia. O objetivo, afirmou, é ampliar o acesso à água e ao tratamento de esgoto.

Tarcísio também defendeu a política tarifária da empresa e afirmou que o reajuste precisa acompanhar a inflação para preservar a capacidade de investimento. Segundo ele, o Estado continua como maior acionista da Sabesp, com 18% das ações, e destina os dividendos para ajudar a amortecer a tarifa.

O governador ainda destacou a redução do despejo de esgoto nos rios. Segundo ele, o volume caiu 22% desde o início da gestão. Para Tarcísio, a recuperação dos mananciais também é necessária para reduzir o risco de desabastecimento durante períodos de estiagem.

Modernização deve reduzir espera nos trens

Na mobilidade urbana, Tarcísio afirmou que a modernização do sistema de sinalização dos trens poderá reduzir o intervalo entre as composições e, consequentemente, o tempo de espera dos passageiros.

Segundo ele, atualmente o usuário pode esperar até oito minutos por um trem. Com a modernização, esse intervalo poderia chegar a dois minutos e meio.

A mudança, afirmou, também permitirá ampliar a quantidade de trens e reduzir o tempo de viagem. Tarcísio ressaltou, porém, que a modernização é um processo que demanda tempo.

Saúde tem foco em cirurgias, leitos e novos hospitais

Na saúde, Tarcísio destacou a criação da Tabela SUS Paulista, criada, segundo ele, para melhorar a remuneração das Santas Casas e ampliar a capacidade de atendimento.

O governador afirmou que o Estado passou de cerca de 750 mil para 1,4 milhão de cirurgias eletivas por ano e abriu 8,6 mil leitos em quatro anos. Também citou a inauguração de 14 hospitais, três Centros de Reabilitação Lucy Montoro e dois Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs).

Segundo Tarcísio, a fila por cirurgias eletivas caiu de 570 mil para 156 mil pessoas. A gestão também aposta em telemedicina e inteligência artificial para ampliar o atendimento.

O governador afirmou ainda que as políticas de saúde precisam acompanhar as mudanças demográficas e citou a saúde mental e a geriatria entre as áreas que exigem atenção.


Tarcísio defende ações integradas contra o crime organizado

Questionado sobre segurança pública, Tarcísio criticou as declarações de Fernando Haddad (PT) sobre a atuação do governo paulista no combate à criminalidade e afirmou que o enfrentamento às organizações criminosas depende também do controle das fronteiras e da integração entre forças de segurança.

Segundo o governador, São Paulo não produz parte das drogas e armamentos que entram no Estado, o que exige atuação conjunta com órgãos federais. Ele citou um gabinete integrado que, de acordo com ele, já realizou 542 ações com participação das polícias, Receita Federal e GAECO.

Tarcísio também afirmou que as forças de inteligência do Estado atuam de forma integrada, reunindo informações do sistema prisional e dos centros de inteligência das polícias Militar e Civil para estruturar operações contra organizações criminosas.

Outro exemplo citado foi o combate às fraudes no setor de combustíveis. Segundo o governador, o Estado criou um regime tributário especial para enfrentar irregularidades e registrou aumento da arrecadação no segmento.

Na estrutura da Polícia Militar, Tarcísio afirmou que o efetivo líquido cresceu em sua gestão, com 17 mil policiais incorporados às ruas. Ele também citou um reajuste salarial de 35% concedido nos quatro anos de governo.

O governador reconheceu, porém, que a melhora dos indicadores não elimina a sensação de insegurança da população. Segundo ele, uma pesquisa Datafolha citada durante a sabatina apontou queda de 56% para 46% no percentual de pessoas que se sentiam inseguras em São Paulo.

Tarcísio afirmou ainda que os indicadores de homicídios, latrocínios, roubos, roubos de carga e roubos de veículos apresentam redução, segundo os dados utilizados por ele. Para o governador, os resultados precisam continuar avançando, mas a percepção da população também deve ser considerada.

A estratégia, segundo Tarcísio, inclui investimentos em tecnologia e monitoramento. Ele citou os sistemas Smart Sampa e Muralha Paulista e afirmou que a integração entre essas ferramentas reúne 126 mil sensores para auxiliar na distribuição do efetivo policial e dificultar a mobilidade de criminosos.

Governador defende mudança na legislação

Ao abordar a sensação de impunidade, Tarcísio afirmou que o combate à criminalidade também passa pela percepção de risco de punição. Na avaliação apresentada pelo governador, criminosos fazem uma espécie de gestão de risco e tendem a permanecer na atividade quando não identificam possibilidade concreta de punição.

Para Tarcísio, uma mudança nesse cenário depende de alterações na legislação, cuja competência é do Congresso Nacional. 

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