Bolsonaro muda foco de campanha e investe em eventos no Sudeste para tentar subir nas pesquisas
Alan Santos/PR
Bolsonaro muda foco de campanha e investe em eventos no Sudeste para tentar subir nas pesquisas

A pouco mais de um mês do início da campanha, o presidente Jair Bolsonaro (PL) vai concentrar esforços para ganhar votos no Rio, em São Paulo e Minas Gerais, os três maiores colégios eleitorais do país, que reúnem 42% dos brasileiros votantes. O objetivo é chegar no dia 16 de agosto, quando começa a disputa oficialmente, mais próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas. O petista aparece com 57% da preferência no último levantamento do Datafolha, 13 pontos à frente do qual chefe do Executivo.

A estratégia passa por furar a bolha bolsonarista nessas três unidades da federação e conquistar eleitores fora de setores em que o presidente têm melhor desempenho, como agronegócio e entre evangélicos. Trata-se de uma mudança de postura, já que nos primeiros meses do ano Bolsonaro privilegiou agendas voltadas ao seu eleitorado cativo, com participações em motociatas e eventos religiosos — ontem, ele esteve na Marcha para Jesus, em São Paulo. O núcleo duro da campanha agora está mapeando atividades a que ele possa comparecer, entre eles encontros com empresários, além de iniciativas que lhe permitam ganhar terreno nas periferias desses locais.

Ontem, na Marcha para Jesus, ele voltou a falar da “guerra do bem contra o mal” e criticou o risco de “socialismo”.

"Somos conta o aborto, a ideologia de gênero e a liberação de drogas. E somos defensores da família brasileira", afirmou, no trio principal do evento. 

Na ofensiva pelo Sudeste, o ex-ministro da Defesa Walter Braga Netto, escolhido como vice na chapa à reeleição, ficou encarregado de conversar com empresários sobre as ações do governo. Ele já viajou a Minas e ao Rio para cumprir agendas nesse sentido.

Há uma atenção especial com o Rio, domicílio eleitoral de Bolsonaro. Interlocutores da campanha apontam uma preocupação em evitar que ele perca em casa. Eles citam como exemplo a derrota do então postulante ao Palácio do Planalto Aécio Neves (PSDB) em Minas Gerais, seu estado natal, nas eleições de 2014, para a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Ela acabou sendo reeleita naquele ano. Casos como esse dão a medida do quanto o desempenho na região é determinante para que Bolsonaro conquiste o direito de permanecer no comando do país por mais quatro anos.

Como parte da estratégia para conquistar o Sudeste, o núcleo duro bolsonarista definiu a região para oficializar a candidatura à reeleição, o que ocorrerá no próximo dia 24, provavelmente, no Maracanazinho, no Rio. Inicialmente, o evento iria ocorrer em São Paulo. A campanha, no entanto, não encontrou um local disponível que fosse adequado para receber as 11 mil pessoas esperadas.

O ponto de maior preocupação dos aliados mais próximos de Bolsonaro está em Minas, onde o presidente ainda não conseguiu consolidar um palanque competitivo. Segundo o Datafolha, é em Minas que Lula tem a maior vantagem no Sudeste, com vinte pontos percentuais à frente do chefe do Executivo: 48% a 28%.

Interlocutores do presidente defendem a oficialização da candidatura do senador Carlos Viana (PL) para governador.

“Movimento natural”

Na semana passada, porém, o presidente recebeu o governador de Minas e postulante à reeleição, Romeu Zema (Novo), no Palácio do Planalto, e tentou mais uma vez selar uma aliança. 

No dia seguinte, em almoço com líderes e vice-líderes, em Brasília, Bolsonaro disse a Viana que não haveria um acordo com Zema e, por isso, dava sinal verde à sua candidatura ao Palácio Tiradentes.

O deputado Altineu Côrtes (PL-RJ), líder do PL na Câmara, trata o movimento como uma guinada “estratégica”.

"É natural que as agendas se intensifiquem em locais que estrategicamente são mais importantes. O Rio, além de ser um dos maiores colégios eleitorais, é o berço eleitoral do presidente. E o PL é grande no estado: tem 32 prefeitos, 14 deputados estaduais e 11 federais, além do governador Cláudio Castro", avalia Altineu.

Nos três maiores estados do Sudeste, o Rio é o onde o presidente tem a menor diferença para Lula, segundo o Datafolha: 34% a 41%.

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