Número de crianças fora da escola bate recorde; o que pode ser feito?
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Número de crianças fora da escola bate recorde; o que pode ser feito?

Um levantamento do ‘Todos Pela Educação’ mostrou que o Brasil  tem o maior número de crianças de 6 a 14 anos fora da escola dos últimos seis anos. Com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), 244 mil crianças e jovens nessa faixa não estavam frequentando as aulas como deveriam.

O número de crianças fora da escola por conta da pandemia de Covid-19 pode trazer consequências negativas para os índices educacionais do país e vai exigir do poder público medidas para lidar com este novo desafio. Segundo especialistas ouvidos pelo iG, o aumento na evasão escolar será um dos grandes desafios para o país em 2022.

O coordenador de políticas educacionais do ‘Todos Pela Educação’, Ivan Gontijo, afirma ao iG que as ações para diminuir essas taxas de abandono escolar deveriam ser focadas em dois pontos principais: a busca ativa e a assistência social.

“Duas ações principais que têm que ser estruturadas enquanto políticas públicas. A primeira seria como fazer programas efetivos de busca ativa, isso significa identificar os estudantes que não voltaram para as escolas e garantir que eles voltem, então é preciso uma articulação muito grande entre conselhos tutelares e as famílias. O segundo passo seria garantir que essas crianças não abandonem a escola de novo, e para isso é preciso ter um monitoramento muito grande da frequência do aluno”, disse.

Outro ponto de destaque, segundo o coordenador, seria 'associar o espaço escolar à assistência social'. “A gente está vivendo uma situação muito vulnerável onde muitos estudantes não têm renda, não têm o que comer, então é preciso criar programas de auxílio”, afirma.

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A professora de Pedagogia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Adriana Camejo, concorda que, além das discussões que devem ser feitas dentro de sala de aula sobre a importância da educação, o apoio econômico é necessário.

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“Em um contexto que inclui políticas públicas, não se pode deixar de citar o necessário apoio econômico-financeiro às famílias que já necessitavam, e que em uma situação caótica como a imposta pela pandemia, não poderia ter faltado”, conta.

Os dados da PNAD mostraram ainda que o percentual de crianças e jovens de 6 a 14 anos matriculados no Ensino Fundamental ou Médio chegou a 96,2%, o menor valor desde 2012. Em 2019, por exemplo, esta taxa era de 98%.

No segundo trimestre deste ano, houve um aumento de 171,1% no número de crianças e jovens dessa faixa etária fora da escola em relação ao mesmo período de 2019.

“Esses dados são bastante preocupantes. Os impactos disso são gigantes, muitas crianças quando não estão na escola estão sujeitas a mais fatores de risco, como violência doméstica, insegurança alimentar (...) a escola acaba funcionando como um mecanismo de defesa”, afirma Ivan Gontijo.

O coordenador do ‘Todos Pela Educação’ afirma que resolver o problema com o ensino remoto pode ser paliativo, mas está longe de ser a solução definitiva.

“Em relação ao ensino remoto, existem evidências que mostraram que na educação básica ele é muito menos efetivo que o ensino presencial. Esses dados mostraram que as crianças avançaram muito pouco no ensino remoto, de modo geral funciona menos na educação básica. Aqui no Brasil ainda tem o agravamente da questão da conectividade, isso porque o acesso à internet aqui é precário se comparado a outros lugares do mundo, então estudantes de mais baixa renda sofrem muito mais com isso”, diz.

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