Milton Ribeiro volta a criticar Paulo Freire e ataca obra do educador
Catarina Chaves/Ministério da Educação
Milton Ribeiro volta a criticar Paulo Freire e ataca obra do educador

Em audiência pública na Câmara, o  ministro da Educação, Milton Ribeiro, voltou a fazer críticas ao educador Paulo Freire, que completaria 100 anos em setembro. Um dos parlamentares presentes, o deputado Elias Vaz (PSB-GO), cobrou do ministro declarações críticas que ele fez recentemente, em Goiânia, contra Freire. Ribeiro manteve o tom contra o educador, com a curiosidade de que evita se quer citar seu nome.

"Baseio minha vida em evidências científicas e em resultados. Olha a que pé chegou a educação pública brasileira quando abraçou de olhos fechados algumas pedagogias. Não o avalio tão positivamente assim como o senhor. Respeito a trajetória desse educador, mas as evidências mostram que o modelo proposto nos últimos vinte anos foi um desastre em termos de educação", disse Milton Ribeiro, interrompido pelo deputado:

"O senhor não cita o nome dele. Tem dificuldade disso?", o questionou Vaz.

"Não convém citar o nome de quem não está presente. É um grande educador, mas tenho minha avaliação", respondeu o ministro, que criticou sua principal obras, o livro "Pedagogia do oprimido", reproduzido em vários idiomas e estudado em universidades de muitos países.

"O senhor leu o livro dele, "Pedagogia do oprimido"? Faço questão de lhe dar de presente. Eu li três vezes, e depois podemos conversar. Antes de assumir o ministério, tive esse cuidado", disse o ministro se dirigindo ao deputado.

A teoria e o processo educacional de Paulo Freire se baseia a partir da realidade do aluno, e a partir daí criou seu método de alfabetização de adultos.

A audiência púbica chegou a ser interrompida por alguns minutos, com uma intervenção da presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Brune Brelaz, que criticou a atual gestão do MEC e a falta de orçamento para políticas públicas.

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"Os estudantes não conseguem permanecer no ensino superior sem apoio do ministério e do governo. É preciso, urgentemente, rediscutir a recomposição orçamentária para 2022. São 70 mil estudantes com bolsas de estudo atrasadas", disse a dirigente da UNE, cuja manifestação incomodou a base do governo presente.

"Respeito sua manifestação, mas se fosse em Cuba ou na Venezuela não poderia fazer isso", rebateu Milton Ribeiro, em nova manifestação ideológica.

O ministro ainda reagiu a uma declaração do deputado petista Jorge Solla (BA) de que a ex-presidente Dilma Rousseff foi alvo de um "golpe".

"Não concordo com esse chamado golpe, que tirou a ex-presidente Dilma. Foi referendado (o impeachment) pelo parlamento do qual o senhor faz parte. Estamos numa democracia e maioria dos votos vence", disse Ribeiro.

O ministro foi convocado para explicar na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara sobre ampliação e desdobramento de institutos federais de educação, mas sob a crítica de não criar novas vagas e cursos e apenas para indicar mais reitores alinhados com o atual governo.

Ribeiro negou essa intenção e afirmou que essa ampliação foi orientada por questão geográfica e para beneficiar regiões que ainda não contam nem com um instituto federal nem com uma universidade.

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