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Medida foi anunciada após repercussão de relatório que apontou paralisia da pasta nas políticas de alfabetização

Pai lendo para o filho arrow-options
Pixabay
Dinheiro será destinado para o programa "Conta Pra Mim"

Após críticas de parlamentares e especialistas sobre a falta de ações no Ministério da Educação (MEC), sobretudo em relação à Política Nacional de Alfabetização (PNA), o MEC lançou nesta quinta-feira o programa " Conta pra mim ", que prevê o uso de R$ 45 milhões para incentivar pais a lerem para os filhos. A medida é uma das estratégias do ministério para implementação da PNA.

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De acordo com o MEC , o recurso será utilizado para financiar professores tutores para atuar em cinco mil espaços que serão criados em creches, escolas, museus e bibliotecas, chamados "Cantinho conta pra mim". Esses locais serão destinados a treinar os responsáveis a contarem histórias para as crianças e também poderão receber as alunos para realização de atividades.

Os professores tutores da rede pública receberão uma bolsa com um valor que deve variar entre R$ 300 e R$400. Esses profissionais serão responsáveis por ensinar aos pais das crianças técnicas de "literacia familiar" ao longo de três encontros com duração de uma hora. Segundo o MEC, os tutores devem ajudar os pais a aplicar técnicas de leitura e contação de história para auxiliar as crianças da primeira infância a desenvolverem recursos cognitivos que auxiliem na alfabetização. Questionado sobre qual seria a estratégia do ministério para atender pais de baixa renda que não sabem ler e escrever o ministro afirmou que as oficinas também trabalharão a oralidade.

Atualmente, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem 11,3 milhões de analfabetos entre a população de 15 anos ou mais. Já o Indicador do Alfabetismo Funcional (Inaf), divulgado em 2018 pelo Instituto Paulo Montenegro, mostra que cerca de 30% dos jovens e adultos de 15 a 64 anos são analfabetos funcionais.

"Tem técnicas que mostram que mesmo um analfabeto que conta história para o filho de cabeça gera um impacto gigantesco no ensino do filho. Essa pergunta (sobre os pais analfabetos) foi a primeira que eu fiz quando apresentaram o programa. Acreditamos que mesmo pais analfabetos vão buscar os Cantinhos e buscar formas para conseguir suprir a necessidade. Não podemos trabalhar com exceção, o impacto vai ser muito grande", afirmou Weintraub .

O secretário Nacional de Alfabetização, Carlos Nadalim, complementou a fala do ministro. Segundo ele, o programa pode ajudar pais analfabetos a desenvolverem técnicas que estimulem o vocabulários dos filhos por meio da conversa.

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"A primeira é interação é verbal, podemos ensinar pais analfabetos a melhorarem estratégia de conversação com crianças pequenas. A prática não se resume à leitura em voz alta feita para as crianças" disse.