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A partir deste ano, as 360 vagas para engenharia que seriam ofertadas em julho serão unificadas ao vestibular de verão, que acontece em dezembro

Unesp passa por crise financeira e atrasa pagamento do 13º de servidores
Reprodução/Wikipedia
Unesp passa por crise financeira e atrasa pagamento do 13º de servidores

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) anunciou que vai suspender o vestibular do meio do ano, após 18 edições. Segundo a instituição, houve um prejuízo de R$ 1 milhão nos últimos cinco anos por conta da prova, que aconteceria em julho. 

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A medida foi aprovada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária (Cepe) nessa terça-feira (12). Além da crise financeira, a Unesp também afirmou que há baixa oferta de vagas no meio do ano, então não há necessidade de um vestibular extra. 

Pelo processo seletivo do meio do ano, eram reservadas 360 vagas para alunos de nove cursos de engenharia, localizados nos campus de Bauru, Ilha Solteira, Sorocaba, Registro e São João da Boa Vista. O vestibular de verão, por sua vez, oferecia 7,3 mil vagas.

Segundo o conselho, essas 360 vagas agora serão ofertadas no vestibular do fim de ano. No entanto, a universidade ainda não definiu se os aprovados começarão a frequentar as aulas em fevereiro, como os demais, ou só em agosto, como seria caso o vestibular fosse no meio do ano. 

Segundo a reitoria, nos últimos três anos o número de candidatos para o vestibular de julho teve queda de 24%. Foram 13.763 inscritos em 2016 e 10.448 no ano passado. Essa queda aumentou o custo da prova por candidato, já que a instituição tinha que manter os "mesmos esforços de logística, operação e segurança" da prova de fim de ano. 

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Isso gerou um prejuízo de cerca de R$ 1 milhão nos últimos cinco anos. Enquanto o custo por candidato no vestibular de fim de ano é de cerca de R$ 1,1 mil, no do meio de ano era de R$ 4 mil. 

A universidade ainda disse que o principal motivo para a suspenção da prova é "acadêmico" e que "a economia de recursos é só uma decorrência". A instituição afirmou que está negociando a antecipação de R$ 130 milhões com o governo estadual para pagar as dívidas. 

A crise financeira que atinge a instituição atrasou o pagamento do 13º dos funcionários no ano passado. A reitoria informa que, em todo o estado, os atrasos somam R$ 175 milhões, e que pediu um crédito suplementar ao governo estadual, mas até agora não recebeu o dinheiro.

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Em Botucatu, servidores da universidade entraram em greve em janeiro. A situação fez com que a Justiça determinasse que Unesp fizesse o pagamento integral a todos os funcionários.