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Em evento no Planalto, Temer e ministro anunciaram também investimento de R$ 200 milhões para avaliar impacto do ensino médio em tempo integral

Temer e Rossieli Soares anunciaram investimentos no novo ensino médio e na avaliação do impacto do ensino integral
Marcos Corrêa/PR - 4.10.18
Temer e Rossieli Soares anunciaram investimentos no novo ensino médio e na avaliação do impacto do ensino integral

O presidente Michel Temer anunciou nesta quinta-feira (4), junto ao ministro da Educação, Rossieli Soares, investimento de R$ 600 milhões para a implementação do novo ensino médio e para pesquisa de avaliação do impacto do Programa do Ensino Médio em Tempo Integral – da qual participarão 312 escolas públicas de todos os estados e no Distrito Federal. 

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Da quantia anunciada hoje, R$ 400 milhões serão empenhados, até 2020, na implementação do novo ensino médio  em 5 mil escolas do País. Os demais R$ 200 milhões são reservados para a execução da pesquisa com escolas que adotarão o modelo de educação em tempo integral em 2019. O valor deve ser pago ainda neste ano, conforme prometeu o MEC.

Em seu discurso, Temer ressaltou a importância social do programa de tempo integral. "De um lado, a vertente educacional, se fica mais na escola, vai aprender mais. Mas tem a vertente social, num país pobre como o nosso, muitos dos alunos são carentes, são vulneráveis, eles se alimentam na escola. Essa é a grande vantagem do ensino integral " pontuou. 

As escolas pré-selecionadas pelo MEC têm alguns pontos em comum: a alta vulnerabilidade socioeconômica, ainda não contam com o ensino integral e possuem 100 alunos matriculados no ensino médio, no mínimo. O objetivo é medir qual será o retorno social do investimento e qualificar os gastos em educação no País, a fim de combater a reprovação e o abandono dos estudantes. 

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O emprego dos recursos e o novo ensino médio

As escolas terão de 5 a 25 de novembro para aderir ao novo ensino médio
Agencia Brasil/reprodução
As escolas terão de 5 a 25 de novembro para aderir ao novo ensino médio

Mesmo sem ter a infraestrutura adequada, as escolas podem participar da pesquisa, desde que estejam nas adequações necessárias até 2020. Os recursos poderão ser utilizados para melhorar essa estrutura, os salários dos funcionários e professores e comprar materiais pedagógicos, segundo explicou Rossieli Soares. 

O ministro acrescentou ainda que as escolas quilombolas, indígenas, rurais ou que têm alunos com perfil socioecônomico muito baixo, receberão um adicional de 10% do valor total. 

"Algo que temos que trazer para o centro [do debate] é o aprendizado. Há pouco tempo, divulgamos os resultados da educação brasileira e eles são preocupantes, especialmente em relação ao ensino médio, que não tem tido melhoria na aprendizagem. Os jovens continuam abandonado a escola e esse processo de transformação é muito importante. A gente precisa colocar o jovem no centro, trabalhar o protagonismo da nossa juventude", disse o ministro Rossieli Soares.

O novo formato do ensino médio, aprovado no ano passado, estabelece que as escolas passem a ensinar um conteúdo comum a todo o País, que deverá ocupar 1.800 horas dos três anos de curso e que, no tempo restante, os estudantes possam escolher formações específicas em linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas ou ensino técnico.

"Não dá mais para ter 3,5 milhões de jovens entrando no primeiro ano do ensino médio e 1,7 milhão concluindo. Estamos perdendo milhões de jovens", disse o ministro da Educação . "Se continuarmos formando mal os nossos jovens, estamos jogando fora o futuro deles", completou. 

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Todas as escolas terão de 5 a 25 de novembro para aderir ao novo ensino médio . A portaria de avaliação do impacto do ensino integral deverá ser publicada nessa sexta-feira (5) pelo MEC. A adesão pode ser feita pelas escolas até o dia 19 de outubro. 

*Com reportagem da Agência Brasil

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