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Relatório mostra que o Brasil tem uma das maiores parcelas de adultos sem ensino médio e uma das maiores desigualdades de renda entre 46 países

Pessoas que deixam a escola antes de completar o ensino médio apresentam dificuldades no mercado e cognitivas
Gabriel Jabur/Agência Brasília
Pessoas que deixam a escola antes de completar o ensino médio apresentam dificuldades no mercado e cognitivas

O Brasil está entre os países com menor número de adultos formados no ensino médio e com uma das maiores desigualdades de renda de todos os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), segundo revela o relatório “Um Olhar sobre a Educação” divulgado nesta terça-feira (11).

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Entre adultos de 25 a 64 anos, 52% não têm ensino médio , número alarmante que, segundo a OCDE, tende a estar associado à desigualdade de renda – uma vez que o Brasil registra o segundo maior nível de desigualdade entre os 46 países do estudo, atrás apenas da Costa Rica.

Conforme mostra a organização, as taxas de matrícula no País caem acentuadamente após os 14 anos, sendo que apenas 69% dos jovens entre 15 e 19 anos e 29% entre 20 e 24 anos estão matriculados em instituições de ensino.

Com tais números, o Brasil apresenta mais do que o dobro da média da OCDE de adultos entre 25% e 64% que não cursaram o ensino médio. Entre os membros da organização que têm percentuais tão altos como o nosso estão o México e a Costa Rica – com 62% e 60%, respectivamente, de pessoas sem esse nível de formação.

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Em comparação a outros países da América Latina, o número de adultos nessa faixa etária no ensino médio também é muito maior no Brasil, que fica atrás da Argentina (39%), Chile (35%) e Colômbia (46%), por exemplo.

O relatório ainda mostra que aquelas pessoas que deixam a escola antes de completar o ensino médio apresentam dificuldades no mercado de trabalho, ganhando menores salários. Além disso, também têm problemas cognitivos – de memória, habilidade motora, atenção etc – bastante superiores do que entre pessoas com essa formação.

Segundo aponta o relatório , “o Brasil investe uma parcela relativamente alta de seu produto interno bruto (PIB) e seu gasto público total em educação. No entanto, a despesa por aluno ainda está atrasada em relação à maioria dos países da OCDE e dos países parceiros”.

Para se ter ideia, o governo brasileiro gasta, em média, US$ 3,8 mil por estudante no ensino fundamental e no ensino médio , o que representa menos da metade dos países da OCDE.