Tamanho do texto

Brasil atinge níveis insuficientes de aprendizado para as duas disciplinas no ensino médio; veja também o desempenho dos alunos do ensino fundamental

Em matemática, a proficiência do ensino médio caiu de 275 para 270 pontos entre 2009 e 2017
shutterstock/Reprodução
Em matemática, a proficiência do ensino médio caiu de 275 para 270 pontos entre 2009 e 2017

Mais de 70% dos alunos que finalizaram o ensino médio no Brasil não conseguiram atingir níveis considerados básicos em matemática e português, de acordo com dados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), apresentados nesta quinta-feira (30) pelo Ministério da Educação (MEC).

Leia também: Mais de 60% das vagas do ProUni ainda não foram preenchidas

Além do desempenho insuficiente, o levantamento aponta uma estagnação do ensino médio desde 2009, com viés de queda. Em matemática, a proficiência média caiu de 275 para 270 pontos entre 2009 e 2017, enquanto na língua portuguesa, a queda foi de 269 pontos para 268.

A média de português coloca o país no nível 2, em uma escala que vai de 0 a 8. Até o nível 3, o aprendizado é considerado insuficiente pelo MEC. A partir do nível 4, o aprendizado é considerado básico e, do nível 7, avançado.

Na prática, isso significa que os brasileiros deixam a escola provavelmente sem conseguir reconhecer o tema de uma crônica ou identificar a informação principal em uma reportagem.

Já em matemática, os estudantes alcançaram, em média, 270 pontos, o que deixa o Brasil no nível 2, de uma escala que vai de 0 a 10, e segue a mesma classificação em língua portuguesa. A maior parte dos estudantes do país não é capaz, por exemplo, de resolver problemas utilizando soma, subtração, multiplicação e divisão.

Desigualdade social no ensino médio

Os estudantes mais ricos ficaram com nível 3 de aprendizagem no ensino médio, o que ainda é considerado insuficiente pelo MEC
Shutterstock/Divulgação
Os estudantes mais ricos ficaram com nível 3 de aprendizagem no ensino médio, o que ainda é considerado insuficiente pelo MEC

Outro dado que chamou atenção é de que os estudantes que pertencem ao grupo dos 20% com o mais alto nível socioeconômico brasileiro tiveram uma diferença de apenas 43 pontos dos 20% do nível mais baixo em português.

A diferença, coloca os mais ricos no nível 3 de aprendizagem, enquanto os mais pobres ficam no nível 2. Embora mais alto, o nível 3 ainda é considerado insuficiente pelo MEC. Em matemática, a diferença entre os dois grupos é ainda maior, de 52 pontos. Enquanto os mais pobres estão no nível 2, os mais ricos estão no nível 4, considerado básico.

Entre os entes federados, o Distrito Federal registra a maior diferença entre os dois grupos, tanto em português quanto em matemática. Os alunos com mais alto nível socioeconômico obtiveram, em média, 329 pontos em português, ficando no nível 5 de aprendizagem, considerado básico. Já os de nível socioeconômico mais baixo ficaram com 255 pontos, no nível 2, uma diferença de 74 pontos Em matemática, a diferença foi maior, de 101 pontos. Os mais pobres estão no nível 2 e os mais ricos, no nível 6.

Os resultados também mostram desigualdades regionais. A maioria dos estados das regiões Norte e Nordeste, além do Mato Grosso, tiveram, em média, pontuações inferiores à média nacional em matemática e português. A exceção é Pernambuco, que, ficou acima da média, juntando-se aos estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste que ficaram ou na média ou acima da média de desempenho nacional. Rondônia ficou acima da média nacional apenas em matemática.

Seis estados pioraram os resultados de 2015 para 2017 tanto em português quanto em matemática: Amazonas; Amapá; Bahia; Mato Grosso do Sul; Pará; e Roraima. Além desses estados, o Rio Grande do Norte piorou o resultado apenas em matemática e Distrito Federal, Mato Grosso, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo pioraram apenas em língua portuguesa.

Leia também: Universidades vão escolher como distribuir bolsas de doutorado

Ensino fundamental

Assim como no ensino médio, alunos do ensino fundamental também tiveram um desempenho insuficiente
Divulgação/SME-Rio de Janeiro
Assim como no ensino médio, alunos do ensino fundamental também tiveram um desempenho insuficiente

Estudantes brasileiros saem do ensino fundamental com um desempenho pior do que quando entraram. De acordo com a avaliação do Saeb, estudantes do 5º ano apresentaram, em média, nível 4 de proficiência – tanto em língua portuguesa quanto em matemática – em uma escala que vai de 0 a 9, em português, e de 0 a 10, em matemática. Dentro dos critérios do Ministério da Educação (MEC), isso significa que os avaliados do 5º ano do ensino fundamental aprenderam o básico de ambas as disciplinas.

Já quando chegam ao 9º ano, alunos de todo o País têm rendimento mais baixo, apresentando proficiência nível 3 nas duas disciplinas – ou seja, não apreenderam nem o básico, com aprendizagem considerada insuficiente.

Os dados divulgados pelo MEC hoje mostram que, em média, alunos do 5º ano obtiveram 215 pontos em língua portuguesa e 224, em matemática. Em relação ao estudo anterior, em 2015, o desempenho de 2017 apresentou melhora – já que as médias anteriores foram de 208 e 219, respectivamente.

Ainda em comparação a avaliações anteriores, é possível encontrar que os resultados desses alunos do 5º ano melhoraram desde 2003 em ambas as disciplinas.

Sobre o 9º ano, as médias cresceram em ritmo mais lento – desde 2007, em português, e desde 2015, em matemática. Na comparação entre as duas últimas avaliações (2015 e 2017), as pontuações em língua portuguesa foram de 252 para 258; e de 256 para 258, em matemática. 

Entre médias dos municípios em comparação à federal, 58% das cidades participantes tiveram média inferior à nacional em português, e 56% em matemática, dos alunos do 5º ano.

E, mais uma vez, estudantes do último ano do fundamental tiveram média ainda menor nos municípios (na comparação com a nacional): 63% das cidades ficaram abaixo da média em português e 61%, em matemática.

Os municípios com média mais baixa estão, majoritariamente, nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.

Ministério da Educação

Ministério da Educação classifica a baixa qualidade do ensino médio como um problema para o desenvolvimento social e econômico do Brasil
Reprodução
Ministério da Educação classifica a baixa qualidade do ensino médio como um problema para o desenvolvimento social e econômico do Brasil

Na avaliação do MEC e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela avaliação, os resultados de aprendizagem dos estudantes brasileiros “são absolutamente preocupantes”.

No ensino médio, o país encontra-se praticamente estagnado desde 2009. “A baixa qualidade, em média, do Ensino Médio brasileiro prejudica a formação dos estudantes para o mundo do trabalho e, consequentemente, atrasa o desenvolvimento social e econômico do Brasil”, diz a pasta.

Leia também: Alunos deixam ensino fundamental com desempenho pior do que quando entraram

Os resultados são do Saeb, aplicado em 2017 aos estudantes do último ano do ensino médio . Pela primeira vez a avaliação foi oferecida a todos os estudantes das escolas públicas e não apenas a um grupo de escolas, como era feito até então. Cerca de 70% dos estudantes participaram das provas. Nas escolas particulares, a avaliação seguiu sendo feita de forma amostral. Aquelas que desejassem também podiam se voluntariar, mas os resultados não foram incluídos nas divulgações.

*Com informações da Agência Brasil

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.