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Conselho ligado ao ministério da Educação estuda liberar aulas a distância; ministro afirma desconhecer proposta e promete vetá-la

Mendonça Filho (DEM), ministro da Educação de Temer
Ministério da Educação - 16.2.17
Mendonça Filho (DEM), ministro da Educação de Temer

Mendonça Filho (DEM), ministro da Educação de Michel Temer, afirmou nesta terça-feira que irá vetar a proposta do Conselho Nacional de Educação (CNE) que pretende liberar 40% de aulas a distância para alunos do ensino médio. A informação é do jornal Folha de S.Paulo.

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Antes, o próprio jornal havia publicado uma reportagem sobre a proposta. Indicado pela presidência da República, o CNE, órgão consultivo do MEC , estudava regulamentar as aulas online, prática prevista na reforma do ensino médio aprovada em 2017.

A ideia era que a ‘ carga optativa ’ de aulas – composta por Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas ou Serviço Técnico -, fossem integralmente oferecidas por meio da internet. Já para a educação de adultos, a intenção era que os cursos acontecessem 100% fora de sala de aula.

A proposta foi duramente criticada por diversos educadores. Especialistas no tema destacaram a importância da relação entre aluno e professor e lembraram que muitas pesquisas apontam inequívoca relação entre o tempo passado na escola e o sucesso acadêmico dos estudantes.

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Sob críticas de esvaziamento do ensino público e precarização das escolas, o ministro da Educação, Mendonça Filho, preferiu vir a público para rechaçar a proposta.

“O governo não quer isso, não foi discutido no MEC. Não concordo e não passará”, disse à Folha o ministro. “O debate no CNE é livre, e eu até desconheço a proposta. Quem fala pelo MEC é o ministro”.

O MEC, contudo, estava informado da proposta. Rosieli Soares, da secretaria de Educação Básica do ministério, esteve presente em reuniões do CNE sobre o tema. Em nota, o MEC afirmou que o órgão é independente e “tem autonomia para propor sobre o tema”.

Os debates prosseguem no conselho, e a previsão é de que a proposta seja aprovada neste semestre, depois de ser submetida a audiências públicas. Depois disso, ela ainda precisa ser homologada pelo ministério.

Mendonça Filho já avisou que irá se afastar do MEC no começo de abril, pois pretende se candidatar nas eleições de outubro deste ano.  

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