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Aos 59 anos, Liedi Bernucci foi eleita nesta quarta-feira; faculdade de engenharia já tem 124 anos e sempre foi vista como um espaço masculino

Liedi Bernucci chefiará a Poli-USP, uma das maiores escolas de engenharia do País, tradicionalmente masculina
Reprodução/Youtube
Liedi Bernucci chefiará a Poli-USP, uma das maiores escolas de engenharia do País, tradicionalmente masculina

A cada dia, fica mais claro que não dá mais para sustentar o velho discurso de que mulheres e cursos de exatas não combinam. Prova disso, é que, nesta quinta-feira (7), a  Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) escolheu a sua nova diretoria, e, pela primeira vez em sua história, a faculdade será administrada por uma mulher .

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Liedi Légi Bariani Bernucci é professora do Departamento de Engenharia de Transportes (PTR) e ocupava, desde 2014 até janeiro deste ano, a vice-diretoria da Poli-USP . A homologação de ambos nos respectivos cargos será feita pelo reitor da universidade, o professor Vahan Agopyan, nesta quinta-feira (8), em pleno Dia Internacional da Mulher. 

Com 200 dos 217 votos válidos, Bernucci e Reinaldo Giudici foram eleitos nesta quarta. Ele será o vice-diretor da instituição. Formada na Poli, ela foi a primeira mulher a ocupar a vice-diretoria da escola – antes disso, havia chefiado o Departamento de Engenharia de Transportes. Desde 1995, a professora coordena o Laboratório de Tecnologia de Pavimentação (LTP).

Mulher e engenheira

De acordo com a Folha de S.Paulo , quando estudante, a agora diretora da instituição chegou a ouvir de um professor que "mulher não deveria entrar na engenharia". Ainda bem que essa opinião não lhe fez desistir dos seus objetivos. Hoje, aos 59 anos, ela assume o cargo máximo administrativo da Escola Politécnica, uma instituição com 452 docentes e mais de 8.000 estudantes, sem duvidar de suas capacidades.

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Em 1977, quando entrou a então estudante entrou na Poli, menos de 5% dos alunos da graduação eram mulheres. Hoje, elas correspondem a 20%. “Sei que parece pouco, mas não é. Passou de 5% para 20%. Tenho muito orgulho desse número”, afirmou em entrevista ao jornal.

Perguntada sobre qual seria o percentual ideal, Liedi afirma não saber. “As pessoas me perguntam se deveria ser metade mulher ou mais. Eu não tenho a resposta. O importante é que as pessoas façam o que têm vontade. O dia em que elas tiverem liberdade para escolher a carreira e exercer seu talento, a gente chegou no equilíbrio”, diz. 

Sistema de votação

Também pela primeira vez, a Poli-USP adotou, neste ano, um processo eletrônico de votação para as eleições de diretoria, que vai além do método convencional, em papel. Para isso, o Serviço de Órgãos Colegiados e Concursos encaminhou aos e-mails institucionais dos eleitores o endereço eletrônico do sistema de votação e a senha de acesso com a qual votaram. "Tal contabilizou cada voto, assegurando sigilo e inviolabilidade ao processo", garante a instituição.

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