
A morte de um “jornalista” em Gaza atrai manchetes em todo o mundo. Já quase nada se divulga sobre a confirmação de ligações dos jornalistas, vivos ou mortos, com o Hamas ou com a Jihad Islâmica (o segundo maior grupo terrorista atuante no enclave).
Por causa do silêncio da imprensa, muito poucos souberam que, em fevereiro de 2025, a ONG Shurat HaDin, uma organização israelense de atuação jurídica, e a entidade StandWithUs abriram um processo nos Estados Unidos. Nele, apontaram dezenas de nomes de jornalistas e outros membros da equipe da Al Jazeera, em uma ação que acusa a emissora de oferecer apoio material ao Hamas e à Jihad Islâmica. Alguns tinham ligação alegada ou comprovada com o grupo; outros eram membros efetivos.
Nesta semana, a empresa midiática demitiu 24 jornalistas e outros membros de sua equipe em Gaza, em meio à tramitação de outro processo judicial nos Estados Unidos, que acusa a emissora de oferecer apoio ao Hamas e à Jihad Islâmica. Pelo menos três destes funcionários já haviam sido identificados por Israel, documentalmente, como agentes do Hamas. A ação é movida por vítimas e familiares de vítimas dos ataques de 7 de outubro e se baseia na Lei Antiterrorismo dos Estados Unidos.

Comitê de jornalistas: limpa nos arquivos
Paralelamente, vários organismos internacionais de defesa da imprensa estão, silenciosamente, fazendo a mesma “limpa” em seus cadastros.
A organização internacional Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ) é um exemplo. Em junho deste ano, após revisar os nomes que constavam em seu banco de dados de “jornalistas” mortos durante a guerra, divulgou ter encontrado e removido 20 indivíduos de sua lista: oito por participação em combates contra o Exército israelense; os outros 12, por outras razões.
A CEO da organização, Jodie Ginsberg, declarou: “O CPJ sempre deixou claro que não inclui ninguém em seus dados quando há evidências de que esteve envolvido em combate ou em incitação à violência”. É de se lamentar que ela não tenha realizado tal checagem antes de noticiar, a plenos pulmões, a morte de “jornalistas” posteriormente identificados como integrantes de organizações terroristas.
Desvio moral geral
Al Jazeera é um caso extremo de desvio moral da grande imprensa. No entanto, não é a única a sofrer com a desvirtuação do papel do jornalismo. Basta acompanhar a cobertura abertamente partidária de veículos como a BBC, a CNN ou o The New York Times, que recorrem à colaboração de repórteres sem qualquer credencial profissional para atuar como tais.
Não há, nisso, ingenuidade, mas sim uma clara direção editorial. “O novo objetivo não é mais descrever a realidade, mas conduzir o leitor a uma conclusão política”, escreveu o conceituado jornalista Matti Friedman, em 2024, sobre a cobertura de Israel, em artigo publicado no The Free Press.
Também neste mês de setembro, surgiu mais um caso relacionado à moralidade (ou à falta dela) da cobertura jornalística em Gaza, desta vez na voz de um jornalista palestino. Trata-se de Motaz Azaiza, que afirmou, em entrevista divulgada neste mês, ter filmado reféns israelenses sendo espancados por uma multidão de civis em Gaza em 7 de outubro de 2023, mas preferiu esconder as filmagens para não prejudicar os cidadãos envolvidos.
Azaiza apoia abertamente a resistência armada, mas, mesmo assim, foi nomeado ao Prêmio Nobel da Paz e foi apontado como uma das 100 pessoas mais importantes do mundo pela Time Magazine.
