Maduro durante reunião
DIVULGAÇÃO/ AGÊNCIA BRASIL
Maduro durante reunião


Minutos após Trump anunciar a  captura do presidente da Venezuela Nicolás Maduro, e de sua esposa no último fim de semana, as mídias sociais encheram-se de imagens e notícias. Alguns canais compartilharam vídeos de bombardeamentos para confirmar o brutal ataque americano à capital Caracas — as imagens, no entanto, foram gravadas em outras datas e outros lugares do mundo.

Em seguida, proliferaram fotografias do ditador sendo levado por forças militares americanas, de terno com as mãos às costas ou, ainda, vestido com pijama em um estranho avião com duas fileiras de janelas — ambas as imagens falsas. “Com base em minhas análises, toda essa imagem, ou a maior parte dela, foi criada ou editada usando o Google AI”, apontou o chatbot do Gemini após analisar as imagens citadas. Ainda assim, centenas de milhares de pessoas as compartilharam, assim como veículos de imprensa, como o exemplo abaixo.

Imagem fake foi divulgada em vários veículos mundiais
Reprodução
Imagem fake foi divulgada em vários veículos mundiais



Imagens e versões díspares

Tudo indica que apenas uma das imagens divulgadas até hoje é verdadeira: aquela na qual Maduro aparece com os olhos vendados e as mãos algemadas à frente do corpo. Não coloco minha mão no fogo por mais nada.

Nicolás Maduro após sua captura
Reprodução
Nicolás Maduro após sua captura

Naquele mesmo sábado e nos dias seguintes, as notícias correram alucinadas em direções diferentes. Se para um veículo Maduro “negociou” previamente sua prisão, para outro ele havia conseguido escapar e se esconder em um bunker. Há quem diga que ele foi acordado pelas forças americanas, e há que diga que a prisão foi feita por “entidades sionistas”(ah, esses sionistas...).

Não está fácil se informar. 

Nos últimos anos, eventos globais têm feito disparar nas mídias sociais uma onda de desinformação que elas próprias desistiram de monitorar. E embora esse fenômeno não seja novo, estendeu-se agora a uma nova fronteira — a visual — , propiciada por aplicativos capazes de gerar vídeos e imagens que, se não forem checadas por uma ferramenta tecnológica, passam por verdadeiros.

Mentira x verdade

Ou seja, chegamos a esse momento em que nem os olhos humanos, nem nossa capacidade cognitiva e nem nosso bom-senso conseguem distinguir a verdade da mentira. Afinal, convenhamos, as mudanças ocorrem numa tal velocidade, e as regras que costumavam nos reger mudaram de tal forma, que estamos prestes a nos dividir em duas tribos: uma que acredita em tudo o que vê — como  palestinos de Gaza tentando sobreviver a uma nevasca (em um dia que registrou temperatura média de 15 graus Celsius) — ou que duvida de tudo o que vê (como Maduro sendo capturado de pijama por militares americanos).

A tecnologia, com a mesma rapidez que pode nos ajudar a apurar a mentira por trás da informação, infelizmente também funciona como sua impulsora. Não bastasse isso, estamos mergulhados no universo das mídias sociais. Como voltaremos a ter uma mínima certeza da veracidade do que estamos vendo? Boa pergunta para o ChatGPT. Veja a resposta:

“Talvez a pergunta não seja quando voltaremos a acreditar na mídia social, mas se ainda faz sentido esperar isso. As redes deixaram de ser espaços de mediação da verdade e passaram a ser campos de disputa narrativa.
Nesse ambiente, acreditar menos não é cinismo — é sobrevivência intelectual.Confiar menos, hoje, não é sinal de ignorância: é sinal de maturidade.”

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